sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Rara doença cerebral faz com que mulher não tenha medo



Cientistas norte-americanos detectaram numa mulher uma rara doença cerebral que faz com que não tema nada - nem uma serpente a aproximar-se dos seus filhos nem uma faca no seu pescoço.
A mulher não experimenta a sensação de medo porque tem destruída a parte do seu cérebro em que os cientistas acreditam que esse sentimento seja gerado.
Nas últimas duas décadas, os cientistas acompanharam a mulher, identificada como SM, em busca de dados sobre a sua condição que podem fornecer pistas para o tratamento do stress pós-traumático, particularmente em soldados que regressam da guerra.

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«É bastante surpreendente que ainda esteja viva», disse Justin Feinstein, cujo estudo é publicado no jornal Current Biology.
«A natureza do medo é a sobrevivência e a amígdala cerebral ajuda-nos a evitar as situações, as pessoas ou os objectos que colocam a nossa vida em perigo», assegurou. «Ao perder a sua amígdala, SM perdeu também a sua capacidade de detectar e evitar o perigo».
Ao invés do medo, SM, cuja rara condição é conhecida como doença de Urbach-Wiethe, mostra um incontível sentimento de curiosidade.
Para estudar as suas reacções, os investigadores levaram-na a uma loja de animais exóticos cheia de aranhas e cobras, animais que havia dito repetidamente que «odeia» e tenta evitar.
«Assim que entrou no local, SM dirigiu-se ao serpentário e ficou fascinada com a grande colecção de cobras», indicou o estudo.
Consultada sobre se queria segurar uma cobra, SM respondeu afirmativamente e brincou com uma durante três minutos.
Os cientistas sublinharam que a mulher «nunca foi condenada por um delito, mas que foi vítimas de vários».
Feinstein disse que espera que a experiência de SM possa ajudar a tratar pessoas com stress pós-traumático, um problema comum entre soldados que regressaram do Iraque e do Afeganistão.
«As suas vidas estão marcadas pelo medo, muitas vezes são incapazes inclusive de sair das suas casas devido à sempre presente sensação de perigo», disse.
«Se entendermos como o cérebro processa o medo, talvez algum dia sejamos capazes de conceber tratamentos destinados a áreas específicas do cérebro que permitem que o medo se apodere das nossas vidas».