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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A neurociência já pode predizer o comportamento. Mas deve fazê-lo?





Um bebê de seis meses com um capacete de eletrodos para registrar sua atividade cerebral. / Science Photo Library

As imagens do cérebro vaticinam o rendimento escolar e as tendências ao vício, ao crime e aos hábitos pouco saudáveis.


Ler a mente das pessoas talvez seja a aplicação mais futurista e mais estarrecedora das técnicas de neuroimagem que estão em rápido desenvolvimento atualmente. Mas há outra que pode ser mais útil em curto prazo: a predição do comportamento. Os neurocientistas já estão em condições de utilizar uma série de medidas da função cerebral (neuromarcadores) para prever o futuro rendimento escolar de uma criança ou de um adulto, suas aptidões de aprendizagem e suas habilidades. E também suas tendências ao vício e ao crime, seus hábitos insalubres e sua resposta ao tratamento psicológico ou farmacológico. O objetivo dos cientistas não é chegar à sociedade policial caricaturada em Minority Report, mas personalizar as práticas pedagógicas e clínicas para torná-las muito mais eficazes e favoráveis às pessoas.
“Durante mais de um século”, escrevem na revista Neuron o neurocientista John Gabrieli e seus colegas do MIT (Massachusetts Institute of Technology, em Boston), “compreender o cérebro humano dependeu de danos neurológicos ocorridos de maneira natural, ou das consequências imprevistas da neurocirurgia”. Graças a esse tipo de casos, alguns muito famosos entre os neurologistas, foi possível determinar o papel essencial para a linguagem que tem o córtex pré-frontal esquerdo (a célebre área de Broca), por exemplo, ou as regiões envolvidas no comportamento social, a tomada de decisões ou a construção de novas memórias.
Mas essa cartografia das funções mentais experimentou uma explosão em tempos recentes com o advento das técnicas não invasivas de neuroimagem, que descobriram, em milhares de experimentos, as regiões —e associações entre áreas— implicadas na percepção, no conhecimento, no pensamento moral, no comportamento social e na tomada de decisões econômicas, assim como as peculiaridades da estrutura e da função cerebral subjacentes aos transtornos psiquiátricos mais comuns, e a mera diversidade humana que se distribui dentro do leque ‘normal’ e depende de idade, sexo, personalidade e cultura. E também da genética.
O que Gabrieli e seus colegas do MIT propõem é utilizar esse acervo tecnológico capaz de medir a neurodiversidade humana para predizer o comportamento das pessoas. “Essa predição”, diz Gabrieli, “pode resultar em uma contribuição humanitária e pragmática para a sociedade, mas isso vai exigir uma ciência rigorosa e uma série de considerações éticas.”
Por exemplo, uma medição com um simples capacete de eletrodos (completamente não invasiva e chamada ERP, event-related potential, ou potencial de eventos relacionados), realizada 36 horas depois do nascimento do bebê e que determina sua resposta cerebral aos sons da fala, é capaz de predizer com 81% de acerto que as crianças desenvolverão dislexia aos oito anos. E portanto permitiriam aplicar programas educativos especiais a essas crianças durante os primeiros oito anos de vida, um período crucial para o aprendizado da linguagem e compreensão da leitura. Estratégias similares podem ser aplicadas à aprendizagem da matemática e à música, na qual também as diferenças entre crianças são notáveis.
Outro exemplo importante é a predição das tendências ao crime —o que é tudo, menos novidade. “O sistema judicial”, explica Gabrieli, “já está cheio de pedidos (por parte dos juízes, promotores e advogados de uma das partes) de predição de comportamento do réu, que são usados para elaborar pareceres sobre que fiança impor, que sentença proferir ou que regime de liberdade condicional impor”.
Tudo isso já existe, mas se baseia em pareceres de especialistas que, atualmente, são tremenda e comprovadamente imprecisos. As análises de neuroimagem que medem o grau de impulsividade do sujeito, seu controle cognitivo e sua capacidade de resolução de conflitos cognitivos, entre outros, têm o potencial de embasar a decisão do juiz com uma precisão muito maior do que os atuais pareceres de especialistas. São apenas alguns exemplos das possibilidades dessa técnica.
E que servem também para revelar os profundos e delicados problemas éticos que a proposta dos cientistas de Boston suscita. A questão principal é encontrar formas legais de garantir que toda essa informação preditiva seja utilizada para ajudar os cidadãos, e não para que as empresas ou instituições selecionem as pessoas que têm mais probabilidades de sucesso. Esse, de fato, é um problema tão difícil que cabe perguntar-se se a neuroimagem vai causar mais problemas do que benefícios sociais.
Mas Gabrieli e seus colegas não pensam assim, pela simples razão de que as práticas atuais já são muito questionáveis. “Demonstrou-se”, argumentam os cientistas, “que as decisões sobre liberdade condicional tomadas inclusive pelos juízes mais experientes são afetadas por fatores como a hora do dia e a proximidade da hora de comer”. Um critério objetivo de neuroimagem sempre será melhor do que essa roleta, opinam os pesquisadores do MIT.
Toda nova técnica propõe no fundo o mesmo dilema ético: ela pode ser bem ou mal usada. Se a experiência serve para alguma coisa, cabe imaginar que, no final, as duas coisas vão acontecer. Eis aqui um bom material para roteiristas inteligentes.