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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Novos critérios para Alzheimer mudam o diagnóstico de milhões de pessoas


Um novo estudo revisou a definição de uma condição cerebral chamada “deficiência cognitiva suave”. Essa deficiência agora é vista pelos médicos como o primeiro sinal da doença de Alzheimer. E muito mais pessoas podem ser diagnosticadas com a doença.
“Há muita controvérsia sobre a classificação da deficiência cognitiva suave”, comenta Peter Whitehouse, neurologista geriátrico da Universidade de Cleveland, que não esteve envolvido no estudo. “A maior questão, desde o começo, foi definir seus limites. Inventar uma definição como essa gera confusão”, afirma.
A deficiência era originalmente diagnosticada em pessoas com problemas de memória, mas sem dificuldades em outras habilidades, como pensar e racionalizar, ou em atividades diárias.
Mas essa definição se modificou com o tempo para incluir mais pessoas. Em recomendações recentes do Instituo Nacional do Envelhecimento e da Associação do Alzheimer americanos, o campo foi estendido para abarcar até aqueles com problemas para exercer tarefas cotidianas.
Esses problemas funcionais eram tradicionalmente parte do diagnóstico para a doença de Alzheimer. John Morris, autor do novo estudo, afirma que há tanta confusão porque a maioria dos casos de deficiência cognitiva suave é o começo dos sinais do Alzheimer.
Ele comenta que outros problemas cognitivos poderiam ser causados por um derrame, certos medicamentos ou problemas de tireoide, coisas que os médicos poderiam encontrar explicações e não necessitam de um diagnóstico ou categoria à parte.
Morris examinou dados de mais de 17 mil acompanhamentos de pessoas com a doença de Alzheimer em 33 centros diferentes entre 2005 e 2011, incluindo 6 mil que foram originalmente diagnosticadas com Alzheimer total ou deficiência suave relacionada a doença. Os avaliados tinham, em média, 75 anos quando foram testados.
Morris determinou que quase todas as pessoas classificadas com a doença de Alzheimer “muito suave” poderiam ser diagnosticadas simplesmente com deficiência cognitiva suave. Esse foi também o caso de mais de 90% das pessoas com Alzheimer “suave”.
Isso poderia levar a uma série de decisões subjetivas por parte dos médicos, quando o assunto é quem tem Alzheimer em estado inicial e quem tem deficiência cognitiva suave.
“Mas, se pensarmos que a causa da deficiência cognitiva é a doença de Alzheimer, oferecer o diagnóstico com a maior precisão permitiria que o paciente e sua família começassem a lidar com a realidade da doença em um estágio onde o paciente ainda possui muita habilidade cognitiva para tomar decisões”, comenta Morris.
Creighton Phelps, do Instituto Nacional do Envelhecimento, afirma que, em certo sentido, a linha entre a deficiência cognitiva suave e a doença de de Alzheimer inicial é tênue, e depende do julgamento individual do médico. Mas ele adiciona que muitos pesquisadores ainda pensam que há um ponto entre o pensamento e o funcionamento normal e os problemas do Alzheimer que merece uma categoria própria.
“Na deficiência cognitiva suave você enxerga algumas mudanças com antecedência. As pessoas não têm que parar de trabalhar; ela não interfere na vida, mas é visível. E não é suficiente para colocá-la na categoria de demência”, afirma.
Whitehouse comenta que todas as divisões entre deficiência cognitiva suave, normal, e Alzheimer perdem o ponto mais importante: que todos, conforme envelhecem, deveriam tomar atitudes para manter a mente saudável. Isso inclui se manter ativo, comer bem e socializar. [Reuters, Foto]
http://hypescience.com/novos-criterios-para-alzheimer-mudam-o-diagnostico-de-milhoes-de-pessoas/
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