terça-feira, 27 de março de 2012

A direcção do hospital geral do Uíge tem três meses para reorganizar as condições da as-sistência médica e medicamentosa


Governador decepcionado com o que viu no hospital
A direcção do hospital geral do Uíge tem três meses para reorganizar as condições da as-sistência médica e medicamentosa, decidiu governador provincial numa visita àquele estabelecimento.
Paulo Pombolo, acompanhado da vice-governadora para o sector político e social, Maria Fernanda Silva, verificou o funcionamento do banco de urgência e das áreas de pediatria, radiologia, ortopedia, cirurgia e de tripanossomiases, bem como dos serviços administrativos e conclui que “há muitas anomalias”.
O governador disse, à imprensa no final da visita, que era a terceira vez que visitava o hospital, que as ordens que dera anteriormente aos responsáveis não tinham sido cumpridas e que a direcção do estabelecimento tem agora três meses para resolver as situações.
Caso contrário, avisou, são tomada as medidas convenientes.
Paulo Pombolo sugeriu que a direcção do hospital reúna com os chefes das várias áreas, com enfermeiros e com médicos para lhes transmitir esta decisão.
“É urgente que o hospital se organize, visitamos outros hospitais e vimos como se organizam”, disse. O governador lembrou que a direcção do hospital não pode limitar-se a chegar ao gabinete, sentar-se e receber informações dos colaboradores, que tem de averiguar o funcionamento do estabelecimento, que todos têm de trabalhar em sintonia e atentos às informações sobre as ocorrências nocturnas e falta de material.
Está a ser feito um grande esforço para melhorar as condições de assistência médica e medicamentosa na província, referiu, mas reconheceu ser difícil enquanto o hospital continuar a receber, mensalmente, nove milhões de kwanzas.

“Os 90 mil dólares que o estabelecimento recebe, mensalmente, não servem para satisfazer as necessidades de um hospital central provincial, quando há municipais que tem, apenas para cuidados primários de saúde, 200 mil”, declarou.
Com este orçamento, disse, o hospital vai continuar a enfrentar este tipo de dificuldades.governador anunciou que já houve conversações com os Ministérios da Saúde e das Finanças e feitas exposições por escrito aos sectores “que deviam ajudar”, mas que quando se discute e aprova o OGE “não se consegue elevar o orçamento do hospital do Uíge para níveis aceitáveis”.

Reabilitação do hospital

A maior parte das áreas de funcionamento do hospital central do Uíge começam a ser reabilitados dentro de poucos dias, pelo que, afirmou o governador, alguns serviços estão a ser transferidos para outros estabelecimentos.
O empreiteiro, tal como o vice-ministro da saúde, referiu, já esteve no hospital e a informação que temos é que a maior parte das áreas vai ser reparada, mas é necessário dividir o processo em fases, transferindo alguns serviços para outros estabelecimentos para permitir que o trabalho seja feito sem constrangimentos. Além disso essas transferências, frisou, permitem reorganizar outros serviços ainda em funcionamento no hospital, tal como os que estão a ser mudados de local. A reabilitação, disse, vai ser feita de forma faseada e há estruturas onde não podemos continuar a remediar, como é o caso da pediatria, cujos serviços têm de ser ampliados.

Nova lavandaria

Uma lavandaria, com três máquinas, com capacidade, cada u¬ma delas para 25 quilos, uma secadora e uma máquina de engomar, foi inaugurada, esta semana, pelo governador.
Paulo Pombolo declarou que o hospital tem 20 mil lençóis novos, alguns dos quais não estão a uso porque faltava uma lavandaria para tão grandes quantidades de roupa, mas que agora o problema está resolvido. A direcção do hospital, sugeriu, tem de gerir bem as máquinas para não continuar haver camas sem lençóis, o que obriga os pacientes a usarem mantas próprias.
O director provincial da saúde, Benji Henriques, referiu que, com a lavandaria, os lençóis estão sempre disponíveis, mas que até agora era difícil ter as camas limpas.

Higiene e água

Quanto ao problema da água, o governador avisou que apenas pode ser resolvido com a reabilitação global do hospital.
Quando tomámos posse, em 2009, disse, definimos o nosso programa de acções e o hospital provincial passou a ser uma prioridade.
O governador recordou que apenas algumas áreas do hospital dispõe de água por a rede de distribuição ser velha, mas que a situação se vai inverter com a reabilitação do estabelecimento. Não queremos, referiu, que se faça um trabalho provisório para depois ter de ser destruído para construir de novo. O governador avisou os responsáveis do hospital que tem de ser encontrada imediatamente uma solução para as áreas onde não há água e à empresa de limpeza contratada que tem de melhorar o serviço.
Os trabalhadores da empresa, advertiu, têm de ser mais responsáveis e não continuarem a ganhar dinheiro sem mostrarem trabalho.
A área administrativa do hospital, sublinhou, tem de acompanhar os trabalhos desta empresa para não continuar a haver salas sujas e outras limpas.
Isto só acontece, disse, porque ninguém fiscaliza os trabalhos realizados pela empresa encarregada de limpar os resíduos.

Medicamentos

Quanto a medicamentos, afirmou, verificamos que há em número suficiente, pelo que não há justificação para o mau fornecimento aos doentes.
O governador disse não perceber que três dias depois do internamento, um paciente tenha de recorrer a farmácias, quando há medicamentos suficientes em armazém.
Não há razões para haver queixas em relação a medicamentos, pois o governo provincial tem dado o apoio necessário para que não faltem.
A má distribuição dos fármacos aos pacientes, salientou, apenas pode ter a ver com a falta de organização da direcção do hospital.
O director provincial da saúde, Benji Moco Henriques, disse que a solução dos problemas do hospital passa pela sua reabilitação e que a entrada em funcionamento dos novos blocos cirúrgicos vai permitir superar algumas dificuldades e melhorar o atendimento.
Quanto às anomalias verificadas durante a visita do governador, garantiu que a direcção do hospital vai empenhar-se na melhoria funcionamento para poder responder às exigências.
Com o compromisso assumido pelo director-geral do hospital, afirmou, em pouco tempo o estabelecimento vai registar melhorias evidentes.
http://jornaldeangola.sapo.ao/25/0/governador_decepcionado_com_o_que_viu_no_hospital
Imagem: Paulo Pombolo ficou decepcionado com as condições de trabalho e de internamento no hospital geral da província do Uíge
Fotografia: Filipe Botelhio| Uíge