terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Figuras Célebres da Medicina Tropical. Em 1947 Stoll calculava em aproximadamente 114.000.000 o número de indivíduos infestados por Schistosoma.



Para nós, brasileiros, que vivemos em país de marcante tropicalidade, o livro em apreço tem um valor todo particular, relembrando velhas figuras da Medicina Tropical, arquivadas muitas vezes no limbo do esquecimento coletivo. Nesta época de certa irreverência e porque não dizer de certa melancolia quanto aos rumos da medicina nacional, livros como este, despertando o sentido de respeito e homenagem aos grandes que se foram, servem como estímulo a todos aqueles que vão se dedicar e cumprir tarefa das mais nobres, consubstanciada na velha arte de curar.

http://www.alternativamedicina.com/medicina-tropical/figuras-celebres-medicos

Theodor Bilharz (1825 - 1862)
Durante recente Congresso Internacional de Medicina Tropical e de Malária, realizado no Rio de Janeiro, a indústria farmacéutica Bayer distribuiu aos congressistas a biografia de Theodor Bilharz, renomado parasitologista cujo nome se encontra intimamente ligado ao estudo da esquistossomose.

Nascido na Alemanha, a 23 de março de 1825, iniciou seus estudos na Universidade de Freiburg, em 1843. Dedicou-se principalmente a pesquisas sobre anatomia e zoologia. No Cairo, em 1852, escrevia Siebold, professor de Zoologia em Freibur , referindo a seu mestre a descoberta de um novo verme, o então chamado Distomum heamatorium, agente da "esquissotomose do tracto urinário". Além dessa espécie, conhecem-se hoje os parasitos da esquistossomose ma sonica ou intestinal e da esquistossomose de Japão ou moléstia de Katayama.

Antes de se dirigir para o Egito, Bilharz realizou diversas pesquisas anatómicas. Convidado pelo Prof. Griesinger, acompanhou este seu antigo mestre em sua viagem ao Cairo, para reorganizar o serviço de saúde pública em terras egípcias. Na escala médica de Karssel Ain e no Hospital Militar do Cairo, realizou centenas de autopsias, que lhe possibilitaram a descoberta do Schistosoma haematobium, por ele denominado de istomum haematobium. Em 1856 Bilharz publicava seu magnífico trabalho no "Wiernar Mediz niche Wochenschrift" com o título "Distomum haematobium and its relation to certain path logical changes in the human urinary system" Quando o Prof. Griesinger retornou a Tubingen por ocasiao do término de seu contrato, em 1872, Bilharz permaneceu no Egito. Em 1856 foi indicado para professor de Anatomia Descritiva, permanecendo também como médico do Exército egípcio . Trabalhou, eneo, ativamente, estudando principalmente problemas de zoologia e de antropologia.

Em 1858 permaneceu seis meses na Áustria e Alemanha. A história da esquistos-somose provocada pelas três espécies conhecidas de Schistosoma, não podemos esquecer os nomes de Patrick Manson, Looss, Katsurada, Sambon, Leipere Pirajá da Silva. Em 1947 Stoll calculava em aproximadamente 114.000.000 o número de indivíduos infestados por Schistosoma.

A descoberta realizada por Bilharz, do Schistosoma haematobium (também chamado Bilharzia), foi, realmente, de grande significação.
A par de numerosas pesquisas sobre Parasitologia, Bilharz realizou cuidadosas investigações a respeito de órgao elétrico do peixe Melapterurus electricus.

Du Bois-Raymond, o famoso fisiologista francês, comentando certa vez as pesquisas em apreço, de Theodor Bilharz, referiu ser o mesmo um grande trabalhador, merecedor de sua profunda admiração.

Um destino trágico pôs termo ao fecundo labor de Theodor Bilharz. Em 1862 acompanhando o duque Ernesto de Coburgo-Gotha numa excursão pelo curso superior do Nilo, adquiriu febre tifóide. Gravemente enfermo, regressou desde Massana, no litoral do Mar Vermelho, ao Cairo, onde sucumbiu a 9 de Maio de 1862, poucos dias após sua chegada.