quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Medicina Popular e Alguns Remédios Populares. "reconheceu a superioridade da terapêutica indígena"


Antes da implantação da indústria farmacêutica -o que, no Brasil, aconteceu nas primeiras décadas deste século o homem sempre procurou aliviar seus males apelando para as qualidades terapêuticas de certas plantas consideradas medicinais, costume herdado dos antepassados dos nossos antepassados.

http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cro_medp.htm

E mesmo com o progresso tecnológico da indústria farmacêutica, os laboratórios ainda continuam usando as mesmas plantas (raizes, folhas, tubérculos e frutos) na fabricação da maioria dos remédios consumidos nos quatro cantos do mundo. E tanto é assim que a Suíça e outros países sempre importaram plantas medicinais brasileiras que, após sua industrialização, nos são devolvidas em forma de medicamentos vestidos com bonitas embalagens.

E a importância das plantas medicinais brasileiras é considerável, desde os tempos da colonização.

Quando Guilherme Piso chegou ao Recife, em 1637, na qualidade de médico do príncipe Mauricio de Nassau, "reconheceu a superioridade da terapêutica indígena" - segundo Rui dos Santos Pereira - que afirma: Para se ter uma rápida visão da medicina européia do século de Piso (o século XVII), e muito tempo depois, basta recordar que a farmacopéia de Edimburgo (Alemanha) contava, entre seus medicamentos, receitas à base de crânios de homens mortos em acidentes, secundina, fezes humanas, urina e pó de múmias, que só seriam retirados na edição de 1756, um século depois do livro de Piso. Os médicos portugueses não faziam por menos e utilizavam esterco de ovelhas para deter hemorragias vaginais. As farmácias dos jesuítas ficaram célebres na época colonial. Existe, nos arquivos da Companhia, uma coleção de Receitas de valor estimável. E no meio de notícias muito curiosas, necessárias para boa direção e acerto contra as enfermidades, encontramos um cozimento para virgindade perdida, do irmão-boticário Manuel de Carvalho".

E o que encontrou Guilherme Piso entre os indígenas de Pernambuco, que tomavam três banhos por dia, mais asseados do que os europeus colonizadores que não gostavam lá muito de água? Uma terapêutica muito natural, àbase de plantas: "Os índios prescindem de laboratórios, ademais, sempre têm à mão sucos verdes e frescos de ervas. Em vez dos remédios compostos de vários ingredientes, preferem os mais simples, em qualquer caso de cura, visto que por estes medicamentos os corpos não ficam tão irritados adverte Piso.

Como terá nascido a medicina ortodoxa? Como e por que os homens começaram a usar certas plantas como remédios? Talvez vendo o teju lutar com uma cobra venenosa e, ao ser pela mesma picado, suspender momentaneamente a luta para comer um pedaço de batata de cabeça-de-negro como antídoto ou observando o cachorro comer capim para curar suas dores de barriga, é que o homem primitivo procurou imitar o comportamento dos animais quando doentes, para descobrir que determinadas plantas eram e continuam até hoje sendo capazes de curar muitos dos males que atacam o organismo humano. É uma suposição nossa, apenas, de vez que ninguém consegue saber como determinadas coisas começaram a existir, a ser, a acontecer. Trata-se de uma suposição que tem sua logicidade, pois foi vendo o gato cavar um buraco no chão para defecar e, em seguida, cobrir suas fezes que John Harrington inventou a privada, em 1596, e que somente no século XVIII foi instalada no Palácio de Versailles.

A verdade é que a medicina empírica nunca deixou de existir no Nordeste, onde continua sendo largamente usada tanto no litoral como no agreste e no sertão, principalmente pela população de baixa renda, sem recursos para comprar os produtos farmacêuticos industrializados que estão custando os olhos da cara.

E depois, então, que a Organização Mundial de Saúde recomendou o uso dos remédios populares em virtude de os mesmos não produzirem efeitos colaterais, a medicina folclórica passou a ser alvo da atenção de parte da imprensa, do rádio e da televisão. Todos esses meios de comunicação proporcionaram os mais diversos enfoques, mostrando a importância e o valor das plantas medicinais brasileiras. Duas ou mais revistas especializadas, estão circulando mensalmente com sucesso e muitos livros foram publicados sobre o assunto, enriquecendo, assim, sua bibliografia que, por sinal, já era bem vasta.

E a medicina popular, que andava até um pouco esquecida nos grandes centros, passou a ser mais usada por pessoas de todas as classes sociais, não somente como portadora de novas esperanças de cura como também uma solução econômica para grande parte da população brasileira.

As raizes da medicina popular estão gravadas na Bíblia, Apocalipse: 22, 1-2: "E ele me mostrou um rio da água da vida, resplandecente como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio de sua praça, e de uma a outra parte do rio, estava a árvore da vida, que dá doze frutos, produzindo em cada mês seu fruto e as folhas da árvore servem para a saúde das gentes".

À medida que os santos homens iam pregando a palavra de Deus entre os povos do mundo, a medicina popular ia se propagando, e os povos procuravam encontrar a árvore da vida experimentando todos os arbustos que encontravam para curar seus males,- dando, assim, a origem da medicina ortodoxa, folclórica, a medicina do povo.

Os sábios de então, por sua vez, pensavam encontrar o rio da água da vida. E como eram sábios, naturalmente sabiam mais do que os povos que quase nada sabiam., E como a palavra de Deus chegava ao conhecimento deles através de parábolas, entenderam, depois que fizeram experiências tratar-se de mera suposição de nossa parte que tinham de procurar um liquido que curasse os males das gentes, quer esse liquido fosse o suco de frutos ou tubérculos das plantas, quer o líquido fosse encontrado em fontes milagrosas.
Imagem: http://iriscelta.multiply.com/photos/