segunda-feira, 7 de abril de 2014

Vírus ebola pode chegar ao Brasil durante a Copa? Especialistas respondem


Cármen Guaresemin
Do UOL, em São Paulo
http://noticias.uol.com.br

Ebola é considerado por muitos o vírus mais perigoso que a humanidade conhece atualmente. Ele voltou às manchetes recentemente graças a um surto em Guiné que já causou a morte de 84 pessoas, e sete outras na Libéria. Sem contar casos suspeitos no Mali, todos países da África Ocidental. Trata-se de uma "epidemia sem precedentes", segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"Enfrentamos uma epidemia de uma magnitude nunca vista antes em termos de distribuição de casos no país", disse o coordenador da MSF em Conacri (capital de Guiné), Mariano Lugli, por meio de um comunicado.

O vírus foi batizado com esse nome por ter sido identificado pela primeira vez em 1976 na República Democrática do Kongo (antigo Zaire), perto do rio Ebola. Desde então, causou cerca de 1.500 mortes na África e é considerado uma ameaça para a saúde global e até mesmo um possível agente de guerra biológica.

Nunca houve casos da doença em humanos fora do continente africano, mas agora, com a chegada da Copa do Mundo, quais seriam as chances do vírus imigrar para o Brasil?

Para o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Fleury Medicina e Saúde, as chances de o vírus chegar ao país são muito remotas, mas não impossíveis, já que vivemos num mundo globalizado.

"O problema seria a pessoa vir da África, ou após ter visitado algum país do continente, com o vírus incubado. Isso porque é muito comum se confundir os sintomas da doença com os da malária, dengue e leptospirose, por exemplo. Também é comum que a equipe médica acabe se infectando, por não saber qual a real doença".

Com ele concorda o infectologista José Ribamar Branco da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo: "Muito improvável que chegue aqui. Esses surtos costumam ocorrer em locais muito pobres, desprovidos de modelos de higiene".
Imagem: Micrografia eletrônica colorida de transmissão (TEM) obtida pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) em Atlanta, Estados Unidos, revela um pouco da morfologia ultraestrutural exibida por uma partícula viral do vírus. Cynthia Goldsmith/AFP Photo /Divulgação/CDC