quarta-feira, 8 de abril de 2009

Os enfermeiros ganham terreno aos médicos (fim)


A economista Beatriz González diz que um dos problemas de Espanha é que aqui se utiliza excessivamente o sistema sanitário. Que o número de consultas por habitante e ano é muito mais alto que, por exemplo, o dos países nórdicos. Quiçá é também o mau funcionamento dos serviços sanitários o que obriga a multiplicar as visitas ao médico. Que alguns enfermeiros possam receitar determinados medicamentos e seguir os tratamentos dos pacientes crónicos seria já um alívio para os médicos e a estrutura piramidal em que trabalham.

Se, ademais, esses enfermos puderem economizar a visita médica, ainda mais livres ficarão os profissionais. Nisso envolvem-se algumas comunidades autónomas e o Ministério da Saúde. Confiam nas bondades do cartão da saúde electrónico. " E utiliza-se na Andalucía e Navarra", explica José Martínez Olmos, secretário-geral da Saúde. "Com esses cartões o enfermo crónico já não terá que ir sempre ao médico buscar a sua receita, senão que pode ir directamente à farmácia comprá-lo, porque estará prescrita convenientemente de maneira electrónica no seu cartão. Com este sistema, reduzem-se em 25% as tarefas burocráticas das equipas sanitárias", conclui.

Um enfermeiro por cada médico
- Abaixo da média. O número de médicos espanhóis está na média europeia, mas o dos enfermeiros está muito por baixo. Em Espanha há aproximadamente um por cada médico. A média europeia é de dois por cada médico.

- Tarefas distintas. No Reino Unido, podem fazer determinadas receitas e provas diagnosticas.

- Maioria de mulheres. 84% dos enfermeiros são mulheres, frente a 45% de médicos.

- A opção espanhola. Uma proposta de lei apresentada no Congresso abrirá a porta a que enfermeiros e podólogos possam prescrever certos medicamentos.

- Excessiva hierarquia. Segundo alguns informes, em Espanha a organização dos serviços sanitários está excessivamente hierarquizada.

- Trabalho em equipa. A tendência europeia é a de trabalhar em equipas em que participem técnicos e, desde logo, enfermeiros.

EL PAÍS