quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Em Moçambique. Malária associada à anemia continua a principal causa de morte em crianças


Maputo (Canalmoz) - O Centro de Investigação  em Saúde da Manhiça (CISM) considera a malária associada à anemia a principal causa de morte em crianças no País. Segundo dados deste centro científico, contidos no seu relatório de actividades, a anemia infantil está associada a um maior risco de morte e deficiências no desenvolvimento cognitivo e motor no crescimento e nas funções imunológicas.
De acordo com CISM, crianças internadas em hospitais estão em maior risco de morte se tiverem anemia. A mortalidade varia de 6 a 18 por cento nas crianças com anemia grave, mesmo quando submetidas a transfusões sanguíneas.
“Além disso, a maioria das crianças em risco de anemia grave não tem acesso fácil às instalações com capacidade para realizar transfusões sanguíneas”, lê-se no relatório do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça.
Análises dos primeiros 10 anos de dados publicados pelo CISM referem, por exemplo, que de Janeiro de 1997 a Dezembro de 2006, um total de 568.499 (quinhentos e sessenta e oito mil e quatrocentos e noventa e nove) pessoas entra em risco por ano por causa da malária.
Segundo o estudo levado a cabo pelos investigadores Ruth Aguilar, Clara Menendez, Cinta Moraleda, Montse Renon e Jahit Sacarlal, respectivamente, do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça, do Centro de Investigacion en Salud Internacional de Barcelona, na Espanha, Hospital Clinic-Universitat de Barcelona e da Universidade Eduardo Mondlane, somente na Manhiça cerca de 10.037 (dez mil e trinta e sete) mortes foram registadas no mesmo período, causado pela malária.
A análise registou igualmente 3.730 (três mil e setecentos e trinta) mortes em crianças menores de 15 anos de idade. Entrevistas de autópsia verbal realizadas em 3002 casos, ou seja, 80 por cento das mortes determinaram que 73,6 por cento das mortes tinham sido causadas por doenças transmissíveis associadas a anemia, 9,5 por cento por doenças não transmissíveis e 3,9 por cento por ferimentos.
A malária associada à anemia foi tida como tendo sido a maior causa da morte, respondendo por 21,8 por cento dos casos. A pneumonia foi o segundo responsável por 9,8 por cento das mortes, seguida do HIV/SIDA, com 8,3 por cento, e 8 por cento por doenças diarreicas.
Ainda de acordo com CISM, o padrão de mortalidade infantil na área da Manhiça é típico de países em desenvolvimento.

Factores que contribuem para anemia na Manhiça

Os factores que contribuem para a anemia na Manhiça, segundo dados disponíveis, incluem a malária, a infecção por HIV/SIDA (a prevalência em mulheres grávidas está situada em cerca de 25 por cento) e a desnutrição cuja prevalência é de 56 por cento em crianças atendidas nos hospitais.
Na verdade, segundo o CISM, não existem dados sobre a prevalência ou possível contribuição para a anemia infantil associada a deficiências de micronutrientes, parasitas intestinais, esquistossomose, bacteriemias e doenças herdadas de hemoglobina e dos eritrócitos, para além de que existe pouco conhecimento sobre a fisiopatologia da anemia malárica.
A anemia é geralmente uma condição silenciosa que é um importante problema de saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há perto de dois biliões de pessoas anémicas no mundo inteiro.
Um dos objectivos da OMS tem sido reduzir a prevalência da malária e aumentar suplemento de ferro e ácido fólico para diminuir a prevalência da anemia. (Bernardo Álvaro)
Imagem: Mulheres participam numa sessão sobre a prevenção da malária conduzida por ...
unicef.org