terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Morta pela lipoaspiração


Mulher morre durante lipoaspiração em clínica fechada

Portal Terra


GOIÂNIA - A dona de casa Elaine Paula de Sousa Martins, 28 anos, morreu durante uma cirurgia de lipoaspiração em uma das salas do Hospital e Maternidade Santa Margarida, em Palmeiras de Goiás (GO), a 79 km de Goiânia, na noite de terça-feira. A família de Elaine registrou um boletim de ocorrência, na delegacia da cidade contra o médico, o ortopedista boliviano Pastor Contreras Cambrana. Parentes da dona de casa o acusam de negligência.Nesta tarde, a diretoria do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) decidiu pela interdição cautelar de Pastor. Ele está proibido de exercer a medicina.

Essa seria a terceira cirurgia feita por Pastor em um membro da família de Elaine. A irmã da vítima, Sílvia Paula de Sousa, 32 anos, se submeteu a um procedimento de lipoaspiração no começo deste ano e ficou com seqüelas nas costas. A outra paciente é uma prima das duas. O médico não tinha autorização para fazer esse tipo de procedimento cirúrgico, segundo o Cremego.

Elaine era solteira e tinha duas filhas, de 9 e 12 anos. Ela morava em Portugal, de onde retornou há 40 dias. Para fazer a cirurgia, teria pago R$ 2 mil, à vista. Na ocorrência registrada pela Polícia Militar local, consta que ela morreu após convulsões seguidas de uma parada cardiorrespiratória. As complicações teriam começado logo após a aplicação de uma anestesia. Sílvia teria sido chamada para ir ao hospital e encontrou a irmã já morta. De acordo com a queixa feita na delegacia, o médico não estava mais no hospital quando a família chegou. O corpo da jovem foi velado e sepultado ontem, em Palmeiras de Goiás.

O hospital estava interditado pela Vigilância Sanitária local desde outubro, a pedido do próprio Cremego. Uma comissão da entidade visitou o local e constatou que a clínica não tinha condições de funcionamento.

- Não havia nenhuma condição sanitária e de recursos humanos no hospital - comentou o presidente do Cremego, o psiquiatra Salomão Rodrigues.

Entre as irregularidades constatadas pelo Cremego estava a ausência de uma comissão de controle de infecções. Além disso, não havia material de esterilização dos equipamentos usados em cirurgia e nem anestesista.

- Há indícios de que esse médico realizava o ato anestésico e o cirúrgico, o que é vedado. Ainda mais em casos eletivos, como este (o que vitimou Elaine), já que não era emergencial - disse Salomão.

Uma equipe da Vigilância Sanitária esteve no hospital no dia da cirurgia de Elaine, a pedido do médico, e constatou que as mudanças exigidas pelo Cremego não foram adotadas. A Vigilância vai abrir um processo administrativo que pode culminar com o fechamento do hospital.

Pastor - boliviano naturalizado brasileiro - reside em Palmeiras há nove anos e é proprietário do hospital. Há dois processos contra ele no Cremego. Um deles apura a morte de uma paciente. A reportagem tentou entrar em contato com o médico, sem sucesso. Agora, ele vai responder pelo processo que apura a morte de Elaine, com o agravante de ter feito uma cirurgia mesmo com o hospital interditado.

- Ele pode recorrer contra a interdição cautelar primeiro no Conselho Federal de Medicina, depois na Justiça Comum - informou Salomão.

Na delegacia de Palmeiras de Goiás, uma agente informou que o delegado Eduardo Cardoso Gerhardt, titular na cidade, precisou se ausentar e só deve iniciar as investigações na próxima segunda-feira. O inquérito já foi aberto, mas, até agora, ninguém foi ouvido formalmente.

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/12/11/e111211575.html

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