sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Funcionários da Maternidade Lucrécia Paim deixam parturientes e seus bebés morrerem sem assistência porque ñ receberam cabaz de Natal


Onde vamos parar?
Lucrécia Paim deixam parturientes e seus bebés morrerem sem assistência

Wilson Figas. Facebook

Esta 'e uma das centenas de tristes historias que ocorrem todos os dias nos hospitais em Angola, este 'e o relato duma família que sofre:

Na madrugada de 6 para 7 de Dezembro de 2011, Maria, deu entrada ao banco de urgência da Maternidade Lucrécia Paim, aonde esperava receber assistência para ter a tão querida menina que carregava em seu ventre. Dando entrada por volta da meia-noite de 7de Dezembro, não recebeu qualquer assistência ate por volta das 9hs por alegadamente não ter dilatação suficiente do colo, ficando este tempo todo a passear pelo pátio e sala de espera do referido hospital.

Pelas 9h do dia 7 ela sobe para a sala de parto, no que para a família já criou uma grande expectativa, afinal supunha-se que lá estavam técnicos capazes e dispostos a fazerem o seu trabalho.

Para desespero da família, tal não aconteceu. Por volta das 15h as noticias oficiais que recebíamos era de que ela estava bem mas ainda não tinha dado a luz, não sendo necessária a nossa permanência no hospital. Quando desesperadamente pedimos que fizessem chegar a comida que trazíamos de casa, já que ela estava desde a madrugada sem comer, a resposta foi que aquela sala (sala de partos) uma sala onde as pacientes não recebem visitas e que o hospital providenciava comida para as internas da sala de partos.

Começando a entrar em desespero, tentamos obter mais informações por volta das 18h, as notícias continuavam as mesmas: “ela está bem mas ainda não deu a luz”.

Dia 8 pelas 6h da manha já nos fazíamos presentes no hospital e continuávamos sem novidades, ate que pelas 10h a nossa paciente conseguiu entrar em contacto connosco para nos comunicar que havíamos perdido a menina que tanto esperávamos. Continuando o seu relato, ela explicou-nos que não recebeu ajuda nenhuma nem sequer medicação durante as primeiras horas que lá esteve. O médico em serviço, no dia 7 por volta das 16h veio rebentar-lhe a bolsa de agua e deixou-a sem qualquer procedimento a posterior, ficando aos gritos a espera de Socorro que só chegou por volta das 7h do dia seguinte, ou seja ficando 10h com a bolsa rebentada, o que provocou que a bebé entrasse em sofrimento e nascesse com sinais de afogamento nas ‘aguas da bolsa da mãe.

Para o mau atendimento a justificativa era de que ganhavam mal e os cabazes que lhes eram atribuídos não estavam a ser distribuídos de forma satisfatória. Portanto se os centros menores estavam a paralisar os trabalhos, eles também deviam paralisar e praguejavam para as parturientes dizendo:”vamos entrar em greve e vocês já irão ver o que ‘e bom…”

Segundo ela naquela madrugada, só eram atendidas as parturientes que conheciam alguém lá dentro ou as que se fizessem acompanhar por uma quantia de 20.000 KZs. O que ela não possuía no momento mas afirmou que os familiares que se encontravam no pátio do hospital podiam fazer a entrega deste valor caso fossem contactados. Mesmo assim, nada fizeram, ficando apenas a olhar para ela.

E como consolo ela recebeu as seguintes palavras: “foi pouca sorte, tu não és a única a quem acontece, vais poder fazer outro”

As minhas questões são as seguintes: Com quantas mais tem de acontecer para que se tomem medidas e se comece a punir tais técnicos irresponsáveis?

Quem paga por todo o sofrimento que esta mulher e sua família passam?

No dia seguinte ficamos a saber que só naquela noite haviam falecido 41 recém-nascidos.
A Maternidade Lucrécia Paim promove em Outubro as IV Jornadas Científicas
jornaldeangola.sapo.ao