terça-feira, 31 de março de 2009

Os enfermeiros ganham terreno aos médicos (1)


Espanha planeia redefinir o seu papel para aproveitar melhor os seus conhecimentos – Noutros países já prescrevem medicamentos e realizam alguns testes.

GABRIELA CAÑAS 30/03/2009

No Reino Unido, há anos que os enfermeiros se ocupam da realização das endoscopias digestivas, libertando os médicos dessa tarefa sempre tão escassos nos sistemas de saúde. Dois estudos publicados no passado mês de Fevereiro no British Medical Journal, que analisaram endoscopias feitas desde 2002, demonstram que os resultados são similares. No há diferenças relevantes entre as endoscopias realizadas por uns e por outros.
Um enfermeiro por cada médico? Devem-se ampliar as atribuições dos enfermeiros?

Poderão ocupar-se do seguimento dos enfermos crónicos. O reforço das equipas sanitárias beneficiaria a população.

Com o plano Bolonha, os sanitários poderão doutorar-se e fazerem investigação. Os médicos jovens são menos reticentes aos novos esquemas.

Todos os sistemas sanitários avançados, incluindo o espanhol, planeiam redefinir as tarefas dos seus profissionais. Faz sentido que uma enfermeira que estudou durante três anos, que fez simultaneamente três anos de práticas e que já adquiriu uma larga experiência se limite a fazer curas ou a desenvolver tarefas que não requerem tanta preparação? Faz sentido que nas consultas de geriatria os pacientes de elevadas idades tenham largas esperas cada mês para conseguirem uma receita do anticoagulante que necessitam porque só os médicos as podem assinar? Tem lógica que os tempos de consulta do médico se consumam preenchendo partes de baixa? E, desde outro ponto de vista, estão os médicos e os enfermeiros de hoje suficientemente capacitados para manejar um complexo aparelho de diagnóstico de imagem?

França, Reino Unido e Canadá, entre outros, são os países que estão marchando rapidamente para uma nova organização sanitária para optimizar os recursos humanos que dispõem. O corpo de enfermeiros é um dos chamados a desenvolver um papel mais relevante. Quiçá por isso no Parlamento espanhol socialistas e convergentes defendem que podólogos e enfermeiros possam fazer determinadas prescrições farmacêuticas.

Mercedes Mengíbar é enfermeira, sentiu-se como um bicho raro no dia em que a nomearam gerente dum hospital público em Andalucía. Era mulher e não médica; algo insólito. Hoje dirige o hospital USP de Marbella, que é privado. É certo que antes de chegar a tão altas responsabilidades estudou Psicologia, fez mestrado em relações humanas e montou hospitais de campanha na Nicarágua.

Sente-se orgulhosa de ser enfermeira, não obstante, e concorda em que se melhore a atenção sanitária outorgando a estes profissionais a possibilidade de receitar todos aqueles fármacos que não requerem prescrição facultativa, mas que são muito utilizados e que normalmente são custeados pelo Estado.

EL PAÍS