terça-feira, 22 de março de 2011

Parar de fumar melhora o colestero


Segundo uma nova pesquisa, fumantes que conseguem parar de fumar podem ter mais um benefício para a saúde: perfis de colesterol melhorados. O aumento nos níveis de colesterol “bom” vem com o abandono, apesar do ganho de peso.

Alguns pequenos estudos também têm demonstrado que fumar reduz o colesterol bom (HDL) e aumenta o colesterol ruim (LDL). Para testar o impacto do tabagismo sobre os níveis de colesterol de forma mais rigorosa, e num cenário realista, os pesquisadores recrutaram mais de 1.500 fumantes, incluindo uma proporção de pessoas com sobrepeso e obesas.

O participante médio fumava cerca de 21 cigarros por dia antes do início do estudo. Depois de um ano em um dos cinco programas de cessação do tabagismo, 334 (36%) tinham conseguido parar de fumar.

Os pesquisadores descobriram que aqueles que pararam de fumar experimentaram um aumento médio de cerca de 5%, ou 2,4 miligramas por decilitro (mg/dL), no colesterol HDL. Os abstêmios também experimentaram um aumento de partículas grandes de HDL, que são importantes para reduzir o risco de doença cardíaca.

Os efeitos foram um pouco mais fortes nas mulheres. No entanto, não parece importar quantos cigarros eram fumados no início do estudo: os que fumavam mais se beneficiaram do mesmo jeito que os que fumavam menos.

Se confirmado em pesquisas futuras, a descoberta pode lançar luz sobre o forte e misterioso relacionamento entre tabagismo e saúde do coração. Até 20% das mortes por doença cardíaca são atualmente atribuídas ao tabagismo, mas ninguém sabe ao certo o que está por trás desse efeito. Fumar provavelmente afeta o sistema cardiovascular em uma variedade de maneiras, incluindo os níveis de oxigênio reduzidos e o desgaste sobre o próprio coração.

Só houve uma desvantagem em largar o hábito: o eventual ganho de peso. O grupo que parou de fumar ganhou uma média de cerca de 5 kg em comparação com nem 1 kg no grupo que voltou a fumar.

Muitos participantes já estavam com sobrepeso no início do estudo, com um índice médio de massa corporal (IMC) de 29,6. Um IMC entre 20 e 25 é geralmente considerado saudável. O ganho de peso normalmente piora os níveis de colesterol, tanto aumentando o tipo ruim quanto diminuindo o tipo bom.

Como resultado, os pesquisadores acreditam que o ganho de peso pode ter compensado alguns dos efeitos benéficos observados nos abstêmios. Ou seja, outras vantagens sobre os níveis de colesterol podem ter sido mascaradas pelo ganho de peso após o abandono do cigarro.

Segundo os pesquisadores, os médicos devem avisar ex-fumantes sobre a necessidade de uma dieta saudável e exercício físico regular durante o período de abandono.

Ainda assim, os resultados não provam que a cessação do tabagismo provoca melhorias nos níveis de colesterol. Mais estudos são necessários para descartar outras explicações possíveis, incluindo o papel das mudanças no consumo de álcool, que é conhecido por afetar o HDL.

Os pesquisadores avisam que também não está claro exatamente como a cessação do tabagismo pode afetar os níveis de colesterol, embora pudesse ter a ver com mudanças nas proteínas que controlam a distribuição de colesterol. Fumar pode prejudicar essas proteínas.

Porém, há benefícios bastante prováveis: estudos anteriores mostraram, por exemplo, que para cada 1 mg/dL de aumento do colesterol HDL, cai o risco de um evento cardiovascular em até 3% num período de 10 anos. Portanto, se a ligação se mantém, a melhoria dos lípidos no sangue por si só diminuiria o risco do ex-fumante de um ataque cardíaco ou derrame em até 6% nos 10 anos após terem largado o cigarro. [Reuters]

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