quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma lição de adaptação: pesquisa aponta que pessoas “trancadas no corpo” são felizes


Imagine que você está completamente paralisado, mas ainda tem todas as suas faculdades mentais. Você pode se comunicar apenas rudimentarmente ou com movimentos limitados, tais como piscar ou mover os olhos. Você não estaria muito feliz, certo?

Errado. Provavelmente você estaria. Segundo uma nova pesquisa, ao contrário da suposição geral, a felicidade é a norma entre as pessoas com síndrome do encarceramento (LIS).

Os pesquisadores descobriram que 72% das pessoas com LIS estavam felizes com a sua sorte. Muitos classificaram a sua qualidade de vida melhor do que os próprios pesquisadores teriam classificado.

Mas nem tudo são rosas. Há de se lembrar que 168 pessoas foram convidadas para responder a pesquisa, e apenas 91 concordaram. Também, pode ser que os mais motivados e ansiosos em participar tenham enviesado os resultados. E, como os voluntários tinham de completar os questionários em cooperação com os seus cuidadores, talvez tenham respondido melhor do que gostariam em nome da lealdade.

Além disso, nem todos os entrevistados estavam satisfeitos. Os restantes 28% expressaram insatisfação com sua situação, e destes, 86% disseram que preferiam não ser ressuscitados depois de um ataque cardíaco, em comparação com apenas menos da metade dos participantes “felizes”.

Apesar dessas ressalvas, os pesquisadores acreditam que os resultados são representativos. Eles acreditam que, mesmo surpreendente para quem olha de fora, esses pacientes têm uma enorme capacidade de se adaptar à nova condição e começar um novo capítulo na vida.

De todos os entrevistados, somente 7% desejavam a eutanásia. Além disso, os infelizes são normalmente os “novatos” na situação, o que sugere que, a dado momento, as pessoas com LIS se adaptam e se tornam mais confortáveis com seu destino.

Até por isso é importante que se aguarde um período quando novos pacientes pedem a eutanásia (nos países que a permitem), até que eles se estabilizem, tanto física quanto psicologicamente.

A felicidade reina, mas a pesquisa descobriu descontentamentos. Apenas 21% dos participantes estavam empenhados em atividades de valor a maior parte do dia. Mais de 40% queriam atividades mais sociais e 12% mais oportunidades de lazer.

Os infelizes expressaram que gostariam de mais interação e mobilidade, mais lazer e uma melhor recuperação da fala. Eles também apresentaram mais ansiedade do que os felizes.

Saber disso pode ajudar. Os pesquisadores sugerem mudanças como o acesso à mobilidade na comunidade em que eles vivem, tratamentos de recuperação da fala e de ansiedade, etc.

Além disso, tais desconfortos podem realmente melhorar com a tecnologia. Dispositivos de comunicação auxiliada como interfaces cérebro-computador e aparelhos de rastreamento do olhar vão tornar a vida dessas pessoas mais dinâmica.

Quanto ao estudo, como os participantes eram membros de uma associação que apóia as pessoas com a doença, não é possível saber as respostas teriam sido tão positivas em outras situações, já que um dos principais desafios é reduzir o isolamento destas pessoas.

Ainda assim, a principal mensagem da pesquisa é que as pessoas sempre podem se adaptar, encontrar significado e ser feliz em qualquer situação.[NewScientist]

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