sábado, 13 de junho de 2009

O médico tranquilizou-me


Quem mais sofre com a tristeza diária que nos impõem sem justificação plausível é o nosso coração. Os sistemas políticos rastejam e põem-nos de rastos, e desequilibram a precariedade da assistência médica. O médico, parece que não, insere-se num sistema de saúde estatal… muito politizada. Mas não devia lá estar, infelizmente está, obrigam-no.

Imagino o seu sofrimento, quer trabalhar, mas impedem-no. Hoje em dia nem a medicina escapa da propaganda política. E obrigatoriamente somos tranquilizados, e nos tranquilizantes receitados, deitados. A pressão arterial sobe-nos, manifesta-se. O médico tranquiliza-nos, envia-nos para os impessoais tranquilizantes. Afinal somos apenas seres humanos que dependemos a todo o momento de um medicamento.

E vem a solene, pautada e douta relembrança:

Tome-os com um pouco de água
Como um dia muito claro, muito transparente
Ao deitar

Olho e vejo um pequeno frasco
contendo reacções químicas
Para que a noite seja muito escura
Um por dia, ou será um por noite?!

Para que seja fácil suportar os deslizes… deslizar, escorregar
E continuar a viver, a sofrer com as mentiras dos políticos
E ver o avolumar do desemprego e da miséria
Como uma multidão incontável de cataratas
E o regresso dos especuladores
Perante o premiar dos seus sequazes
Nos governos mundiais incrustados

Difícil é andar com os pés no chão