segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os mais vulneráveis à gripe A


Maiores, enfermos crónicos, grávidas e imunosuprimidos, grupos de risco
Ante suspeitas de infecção, pede ajuda por telefone para evitar contágios
É necessário extremar as medidas higiénicas para melhorar a prevenção

EL MUNDO

Actualizado segunda-feira 15/06/2009 16:41 (CET)

CRISTINA G. LUCIO

MADRIDE. - O vírus A/H1N1 provocou este fim-de-semana a sua primeira vítima fora do continente americano. O falecimento de uma mulher escocesa de 38 anos na localidade de Paisley fez saltar alguns alertas; sem dúvida, os científicos apressaram-se em sublinhar que "os problemas de saúde subjacentes" que sofria a paciente tiveram muito que ver no fatal desenlace.

"Ainda que todavia não se conseguiu determinar que pessoas têm mais probabilidades de contágio, sabe-se que há determinados grupos com um risco mais alto de sofrer complicações se contraem o vírus", explica a EL MUNDO Francisco Guillén, director da Unidade de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Clínica Universitária Navarra.

São mais vulneráveis ao vírus, segundo as palavras de Guillén:
As pessoas maiores de 65 anos
As que padeçam uma enfermidade que predisponha a complicações, como as enfermidades crónicas cardiovasculares (salvo a hipertensão), diabetes, insuficiência renal, anemia, enfermidades pulmonares, enfermidades hepáticas crónicas.
As pessoas em estado de imunosupressão, como pacientes com sida ou aqueles que se submeteram a um transplante
Meninos e adolescentes menores de 18 anos que sigam um largo tratamento com aspirina. O uso continuado de ácido acetilsalicílico neste grupo para tratar os sintomas gripais pode desencadear dano cerebral súbito e problemas hepáticos. (Conhece-se como Síndroma de Reye).

Mulheres grávidas
"Que sejam mais vulneráveis não significa que devam estar especialmente preocupadas. Estas pessoas são mais susceptíveis a complicações se sofrem qualquer infecção, incluída a gripe estacional, e o novo vírus não é uma excepção", comenta Andreu Segura, presidente da Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária.

Tanto as autoridades sanitárias europeias como as estado-unidenses remarcam que a maioria dos 29.669 casos que se registaram até à data em todo o mundo são leves e que muitos dos afectados superaram o contágio sem maiores problemas.
Se tosse e tem febre, não vá ao médico

A extensão do vírus por todo o planeta e o contágio mantido em algumas regiões fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevasse o alerta ao nível de pandemia; uma decisão que, conforme assinalam os peritos consultados por EL MUNDO não provocaram muitas mudanças na prática.

"O que supõe este nível é que conter a difusão do vírus é impossível e há que centrar-se nos efeitos da enfermidade", comenta Segura, também membro do comité científico criado pelo Ministério da Saúde.

Neste sentido, o Comité Executivo Nacional da Gripe anunciou que, a partir de agora, as administrações substituirão as medidas de controlo da expansão da enfermidade pela vigilância estreita dos quadros respiratórios graves que se produzam em hospitais seleccionados e através da rede de médicos sentinela.

Isso sim, tal como explicam os especialistas consultados por EL MUNDO, segue sendo necessário tomar algumas medidas básicas para reduzir os contágios na medida do possível. "No caso de suspeita, ante qualquer sintoma gripal, o mais razoável é não acudir aos serviços sanitários. Há que pedir ajuda, mas por telefone – através do 112 (em Espanha) –, onde se receberão instruções sobre o que fazer", indica Segura.

"À simples vista, não se pode distinguir o novo vírus da gripe estacional, pelo que há que tomar precauções. Desta maneira, evita-se expor a mais gente ao contágio, especialmente a grupos vulneráveis que podem estar no centro de saúde", aponta.

"E é necessário extremar as medidas higiénicas. Lavar as mãos é fundamental para prevenir o contágio. É uma medida muito más útil e efectiva que outras mais chamativas, como as máscaras", recalca.

Este perito dúvida de que se leve a cabo uma imunização massiva uma vez que está pronta a vacina específica na que já trabalham vários laboratórios.

"O que se esboça é fazer uma selecção similar à que já se faz com a gripe estacional e recomendar a vacina a determinados sectores", comenta.

"Haverá que ver que grupos estratégicos a necessitam e valorar se os mais jovens, que não estiveram nunca em contacto com vírus similares, são uma população a ter em conta", explica este perito, que assinala a todo o momento, que "a vacina todavia deve pôr-se à prova" e que é só um elemento mais de prevenção.

Imagem: Um sanitário trabalha num hospital da Indonésia (Foto: Reuters Crack Palinggi)

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