quarta-feira, 18 de maio de 2011

Realizar muitas tarefas ao mesmo tempo se torna mais difícil à medida que envelhecemos


Cientistas descobriram porque, à medida que o tempo passa, as pessoas encontram cada vez mais dificuldade em realizar diversas atividades ao mesmo tempo. Assim como nosso corpo perde elasticidade, nosso cérebro se torna menos maleável com o passar dos anos, como indica um novo estudo.

Os investigadores chegaram à conclusão de que cérebros mais velhos encontram mais problemas para retomar o foco e a atenção depois que são interrompidos ou distraídos.

“Por mais que ninguém seja excelente em realizar multitarefas, os problemas se agravam com a idade”, conta Adam Gazzaley, co-autor do estudo e diretor do Centro de Imagens de Neurociência na Universidade da Califórnia, em San Francisco, EUA.

Gazzaley pesquisou o impacto das interrupções e distrações na “memória de trabalho”. Este tipo de memória é como a tela de um computador. Assim como nós podemos editar e trocar as palavras na tela antes de guardá-las no disco rígido, o mesmo acontece com a nossa memória de trabalho: somos capazes de levar novas informações ao cérebro e trabalhar com elas sem arquivá-las à memória permanente. É por isso que conseguimos fazer cálculos simples e realizar tarefas simples apenas de cabeça.

A equipe de Gazzaley suspeita que as interrupções e distrações podem interferir mais nas memórias de trabalho das pessoas idosas, além de explicar a ocorrência de perda de memória momentânea, como esquecer o que você queria na geladeira depois de ser interrompido por um telefonema.

Para testar isso, os pesquisadores fizeram um experimento simples com a ajuda de 22 jovens (com idade média de 25 anos) e 20 idosos (idade média: 69). Instalados em um aparelho de ressonância magnética, os voluntários visualizaram uma paisagem da natureza e tiveram de pensar nela durante cerca de 15 segundos. Enquanto eles estavam lembrando da cena, os voluntários receberam a foto do rosto de uma pessoa e tiveram de determinar sua idade e sexo.

Quando os 15 segundos se esgotaram, os estudiosos lhes mostraram uma outra paisagem e lhes perguntaram se aquela era a mesma foto que eles já haviam visto ou se era uma nova.

Como os pesquisadores esperavam, as pessoas mais velhas tiveram mais problemas do que os jovens em se lembrar se a segunda foto era a mesma que a original. Quando os investigadores olharam para as imagens captadas através da ressonância, puderam perceber o que estava acontecendo durante o experimento, algumas partes do cérebro se iluminavam enquanto outras iam se esmaecendo.

Quando o pensamento sobre a paisagem foi interrompido, a parte do cérebro responsável pela manutenção da memória saiu do ar, enquanto as partes do órgão que se ocupam em decidir a idade e o sexo da pessoa na foto passaram a funcionar. Após a decisão foi tomada, a rede da manutenção da memória voltou à ativa, enquanto as regiões ligadas à tomada de decisão foram desligadas.

O processo de mudança correu normalmente para os jovens. Os cérebros das pessoas mais velhas, no entanto, tiveram problemas para desativar as regiões de tomada de decisão e reativar à rede de manutenção de memória.

“Quanto mais velho você ficar, mais problemas você terá para alternar tarefas. Então, se você tem um prazo importante a cumprir, foque-se nele e esqueça seu celular ou seus emails, para que nada te atrapalhe”, sugere Gazzaley. [MSN]

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Hypescience