quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Medicina - A Origem da Arte da Cura. O médico interpretava os sonhos, a que se atribuía grande importância.


Desde a origem da espécie, o homem procurou remédio contra ferimentos e doenças. Vestígios do neolítico mostram que já se se conheciam as propriedades curativas de agentes naturais como a luz solar, o frio, o calor e a água.

http://www.emdiv.com.br/pt/saude/saudealemdocorpo/2346-medicina-a-origem-da-arte-da-cura.html

Entendida como meio de cuidar da saúde, a medicina existe, portanto, desde o aparecimento do ser humano. As relações entre filosofia, o viver em harmonia e a medicina estão presentes em todas as medicinas, bem semelhantes aliás, em sua origem.

Medicina pré-histórica
Representações gráficas, ossos humanos e objetos de uso cirúrgico encontrados em sítios pré-históricos mostram o registro da tentativa de tratar de doenças como raquitismo, obesidade, reumatismo e tuberculose. Algumas fraturas consolidadas observadas em fósseis podem creditar-se à cura natural, mas outras resultaram inegavelmente da intervenção humana.

A arte de curar nasceu ao mesmo tempo mágica e empírica. A doença era vista como demonstração de que algo estava errado, como resultado de alguma transgressão. Os magos buscavam a cura na associação de medidas propriamente terapêuticas com ritos e amuletos. Pouco a pouco se reuniram, assim, conhecimentos e práticas: banhos, dietas e numerosos remédios provenientes dos três reinos da natureza.

Mesopotâmia
Documentada por textos cuneiformes de Nínive, a medicina dos povos da Mesopotâmia é talvez a mais antiga da qual se conhece uma teoria: o coração é sede da inteligência e o fígado, centro da circulação. O médico interpretava os sonhos, a que se atribuía grande importância. O exercício da profissão foi pela primeira vez regulamentado no código de Hamurabi. A medicina assírio-babilônica conheceu os sintomas e a evolução de muitas doenças e praticou curas dietéticas, prescrições higiênicas e profiláticas.

Egito
Vinte séculos antes da era cristã, faziam-se no Egito operações como a trepanação do crânio. Papiros escritos entre 1700 e 1200 a.C., alguns dos quais copiavam outros muito mais antigos, mostram que para efetuar um diagnóstico os egípcios já empregavam as indicações oferecidas pelo pulso, pela palpitação e pela auscultação, e detectavam diversas doenças do abdome, amígdalas, olhos, coração, baço e fígado. Os remédios mais usados eram mel, cerveja, levedura, azeite, cebola, sementes de linho, funcho, aloé, ópio etc.

Homero considerava os médicos egípcios, também elogiados por Heródoto e Diodoro da Sicília, superiores a todos os outros. Anexas aos grandes templos havia escolas médicas.

Índia
Com fontes no primeiro período védico, por volta do século XV a.C., a medicina indiana fundava-se não em estudos anatômicos, mas numa construção sistemática em que se relacionavam os elementos constitutivos do microcosmo - o homem - e os do macrocosmo - o universo. Saúde era a harmonia entre os humores vitais. A vinculação da medicina a princípios espirituais foi especialmente importante no budismo. Os grandes mosteiros incluíam hospitais, leprosários e depósitos de medicamentos.

Basicamente preventiva, a medicina indiana via na dietética, aliada à higiene, o fundamento da terapêutica. Séculos antes do descobrimento da vacinação, os hindus já inoculavam a varíola. A alimentação básica compunha-se de cereais e legumes, com proibição de bebidas alcoólicas. Remédios de origem animal, mineral e sobretudo vegetal combinavam-se a outros recursos terapêuticos: clisteres, vomitivos, unguentos, sangrias, ventosas, sanguessugas, banhos de vapor, inalações e pulverizações. A cirurgia indiana foi a mais notável da antiguidade. Praticava-se com mestria extração de tumores, de abscessos e de corpos estranhos, punções, sutura de feridas, operações de cálculo de vesícula e até enxertos de pele.

China
A concepção chinesa do mundo, expressa nos princípios do tao, do yin e do yang, orientava a prática médica. Como na Índia, atribuía-se a doença à desarmonia entre o indivíduo e o cosmo. Na filosofia chinesa tradicional, expunha-se a existência de cinco elementos básicos (madeira, fogo, terra, metal e água), que estavam associados às cinco cores, cinco estações do ano, e cinco órgãos do corpo humano. A doença era considerada como uma desarmonia dos cinco órgãos.

Imagem: Desenho de uma trepanação (1517)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gersdorff_-_Schädelwunde.jpg