sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Medicina - A Origem da Arte da Cura. Uma alma saudável é aquela que se compraz na justiça, possuindo equilíbrio.


A medicina teria surgido com os três soberanos lendários (c. 2950-c.2600 a.C.): Fu Hsi, a quem se credita o I Ching; Shen Nung, pai da terapêutica vegetal; e Huang-ti, criador dos ritos e tido como autor do Nei ching, clássico da medicina interna, cujos pontos difíceis seriam esclarecidos mais tarde no Nan ching, atribuído a Pien Tsio (c.430-350 a.C.). Tao Hong-king (452-536 d.C.), mestre taoísta, compilou a farmacopéia de Shen Nung e descreveu 365 drogas minerais, vegetais e animais.

http://www.emdiv.com.br/pt/saude/saudealemdocorpo/2346-medicina-a-origem-da-arte-da-cura.html

As seculares práticas chinesas atingiram o apogeu de 618 a 907, na época Tang. Fizeram-se tratados de oftalmologia, obstetrícia, cirurgia, acupuntura, pediatria e higiene. A contaminação com varíola como método preventivo foi mencionada pela primeira vez em 1014, por Wang Tan, talvez sob influência irano-indiana.

Durante a dinastia Yuan (1260-1368), organizou-se o colégio imperial de medicina e reimprimiu-se uma enciclopédia médica. Na época Qing (1644-1911), editaram-se outras enciclopédias de assuntos gerais que incluíam a área médica, tema exclusivo da obra de referência Espelho de ouro da medicina, aproximadamente do ano 1700 da era cristã. Invadida pela medicina ocidental a partir dessa época, a medicina tradicional chinesa foi revalorizada depois da revolução comunista, em meados do século XX.

Grécia
Nas civilizações helênicas, a prática da medicina surgiu unida ao misticismo e à ética. Asclépio (o Esculápio dos romanos), um dos heróis-médicos citados por Homero, tornou-se no início do Período Arcaico o mais importante deus da medicina. Seus santuários, assim como os dedicados a outros deuses e também a alguns heróis, se tornaram populares templos de cura em que os devotos buscavam auxílio divino para seus problemas de saúde. Esses templos eram edificados em lugares considerados saudáveis e de paisagem agradável. Estavam sempre rodeados por um bosque sagrado, onde havia uma fonte de água natural.

A medicina na Grécia surgiu no seio das primeiras escolas filosóficas, como o pitagorismo. Alcméon de Crotona (séculos VI-V a.C.), médico, astrônomo e filósofo, escreveu o mais antigo livro de medicina grega de que se tem notícia: o Peri phýseos (Da natureza), de que Galeno e Plutarco conservaram fragmentos. Nele se encontra a origem da teoria humoral, que seria retomada por Hipócrates, segundo a qual a saúde resulta da harmonia entre os humores: sangue, pituíta, bile negra e bile amarela.

Outros homens célebres dedicaram-se à medicina na Grécia antiga, mas foi Hipócrates quem sistematizou o saber médico de seu tempo, enriquecendo-o com importantes observações.

O período em que se firma a concepção de uma Medicina naturalista é, aproximadamente, a época em que viveram Platão e Sócrates (aproximadamente 400 anos antes da era cristã) - o tempo de Hipócrates.

Aparece nos escritos de vários filósofos, como Pitágoras, Platão e Alcmeon, é a de que a saúde é o resultado do equilíbrio e harmonia: excessos e desarmonia produzem doenças.

Alcmeon sustenta que o que estabelece a saúde é o equilíbrio dos poderes: úmido e seco, frio e quente, amargo e doce, e os demais. Pelo contrário, a supremacia de um deles é a causa da doença, pois a supremacia de qualquer um é destrutiva.

Platão qualifica a filosofia como uma genuína medicina da alma, havendo múltiplas referências à terapia anímica nos diálogos platônicos. De acordo com o filósofo, em A República, uma alma saudável é aquela que se compraz na justiça, possuindo equilíbrio. A enfermidade da alma é comparável à injustiça; deste modo, a medicina estaria para o corpo assim como a justiça estaria para a alma, no sentido que aquela adquire de terapia para a alma. Há um nítido caráter ético e político nesta formulação, uma vez que toda a cosmogonia platônica no Timeu, visa em última análise, a deslindar a 'harmonia' intrínseca ao cosmo, que é da mesma ordem da harmonia que rege a alma humana. Assim, restabelecer a saúde da alma tem uma finalidade ética primaz, o que engendra toda a discussão sobre a excelsa que o filósofo almejava. Tratar a alma é promover a sua reordenação e o retorno de sua harmonia - restabelecendo a justiça.

É interessante notar que o alcance curativo da medicina é, para Platão, intimamente relacionado às 'causas' e à história natural das enfermidades, bem como à constituição daquele que adoece.

Platão critica o uso de medicamentos para a contenção de doenças leves - as quais devem ser deixadas livres para seguir seu próprio curso -, enfatizando que os fármacos devem ser empregados apenas nos casos "mais graves", ou seja, naqueles em que há "grande perigo" para o doente. As moléstias não devem, assim, ser irritadas com o uso de remédios, o que traz mais prejuízos que benefícios para aquele que sofre.

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