quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Geriatria. A Resposta Sexual nos Idosos


"A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução individual, porém só desaparece com a morte." Mira y López

Masters e Johnson, através de suas pesquisas, reconheceram que não há limite de, idade para a prática do comportamento sexual. Podemos dizer que Freud está para a sexualidade infantil como os pesquisadores citados estão para a sexualidade dos idosos.

Fonte: Gerson López - Sexualidade Humana - 2ª Ed. – Capítulo 03 - A Sexualidade e a Terceira Idade
Copyright © 2004 Bibliomed, Inc.
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4141&ReturnCatID=1770

Considerando a resposta sexual humana como trifásica desejo, excitação e orgasmo , passamos então a discutir o que aconteceria na mulher idosa e no homem idoso. É bom lembrar o que nos diz Kinsey: "Não existe senso comum a respeito do sexo", ainda mais com os indivíduos geriátricos. Em linhas gerais, notamos que se dá uma perda na quantidade desta resposta; entretanto, podemos observar melhora na qualidade. É a velha história: em toda perda há um ganho.

Com relação à mulher idosa, a nível de desejo, notam-se respostas bastante divergentes. Desde a ausência do desejo, até uma exacerbação da libido. Estes fenômenos levam-nos a pensar na presença de uma moral sexual interpondo-se à função biológica, que deveria estar preservada.

Na fase de excitação, observa-se qualitativamente a mesma resposta sexual do jovem, porém uma diminuição quantitativa dos fenômenos, como, por exemplo, do rubor, do aumento do clitóris e pequenos lábios e a lubrificação vaginal, começa mais lentamente e é menos acentuada. Associando-se ao menor trofismo vaginal, "espessura do tecido", em que as paredes vaginais afinam, tornando-se menos elásticas, o processo excitatório poderá vir acompanhado algumas vezes de dor à relação sexual (dispareunia). Nestes casos, a simples reposição estrogênica, sob a forma de medicação oral e tópica, melhorando o trofismo vaginal, resolveria a situação.

A fase orgásmica da mulher idosa mostra contrações rítmicas da vagina, porém em menor número. As contrações retais ocorrem menos freqüentemente.

É certo que a atividade sexual pode continuar por longo tempo após a menopausa, sem dificuldade mecânica ou secura vaginal e, freqüentemente, dispensando a hormônio terapia, desde que seja mantida uma regularidade no relacionamento sexual. É na ausência de uma atividade sexual regular que vão aparecer os distúrbios tróficos, impedindo os contatos posteriores e desencadeando distúrbios psicossexuais (J. Vegue).

Com relação ao homem idoso, vamos também observar que a fisiologia do desejo sexual nestes indivíduos não está bem esclarecida, podendo apresentar desde a inapetência sexual até o aumento do desejo. Porém, na maioria das vezes, este desejo se encontra diminuído.

A fase de excitação, que tem como expressão maior o fenômeno da ereção peniana, mostra que estas ereções tendem a ocorrer mais lentamente que a do homem jovem, tendo um período de detumescência (perda de ereção), porém mais tardio.

No período orgásmico, a ejaculação acontece num só tempo, com pronunciada diminuição da fase de inevitabilidade ejaculatória. O ejaculado sofre redução na quantidade e é expelido sob pressão menor.

No homem, diferentemente da mulher, existe um período subsequente ao orgasmo que é o período refratário, onde o homem não é capaz de vir a apresentar uma resposta sexual completa, apesar da presença do estímulo sexual. Nesse caso, na maioria das vezes ele não apresenta uma ereção ou, se esta estiver presente, não virá acompanhada de ejaculação. Este período refratário é bem maior no homem idoso. Pode durar minutos, horas ou dias. Observa-se que, quanto maior a atividade sexual do adulto, menor seria seu período refratário na velhice.

Em resumo, pode-se afirmar que a resposta sexual humana se torna mais lenta com a idade, mas nunca desaparece por completo.

Sem comentários:

Enviar um comentário