quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pequenos vermes também têm sociedade organizada


Muito já foi estudado e produzido sobre a complexidade das sociedades de alguns animais, como formigas e abelhas. Os cientistas fascinaram-se, ao longo de décadas, com aqueles grupos sociais de insetos que se relacionavam de forma tão organizada (ou ainda mais) do que os seres humanos. Pesquisas recentes da Universidade da Califórnia (EUA) indicam, no entanto, que até seres “insignificantes”, como vermes parasitas, também apresentam elevado grau de organização social.

A pesquisa não foi feita na Califórnia por acaso. É que a espécie de vermes estudados, o Himasthla B, tem como habitat natural aPleurocera californiana (pequeno animal marinho – foto) , ou seja, é uma espécie “da casa”. Na verdade, as Pleuroceras são apenas o primeiro ser parasitado do Himasthla: de lá o pequeno verme migra para pássaros que vivem perto do litoral.

Tais vermes sequer têm sistema circulatório e digestivo constituído, mas sua organização entre indivíduos é especificamente preparada para o objetivo de todos: parasitar o ser em questão. Com isso, os Himasthla se dividem em dois grupos, ou “morfos”. Os primários e os secundários.

O procedimento é o seguinte: uma larva entra na Pleurocera, no mar, e começa a fazer clones de si mesmo.
Quando as Pleuroceras emergem, os pássaros as comem, ingerindo com elas o parasita. Assim, vão vivendo entre dois organismos: o do pássaro e o da Pleurocera, cujo corpo de calcário vai se corroendo pouco a pouco devido à ação dos vermes, até morrer.

É aí que entra o sistema de “castas” dos vermes. Os primários, maiores e em menor número, chegam a ter 2,5 milímetros de comprimento (seu formato é semelhante ao de um espermatozóide) e 0,6 de largura. Os secundários, por sua vez, não ultrapassam um milímetro, e se reproduzem com menor rapidez.

Descobriu-se que os secundários movem-se mais agilmente, razão pela qual são os “soldados” que atacam o animal a ser parasitado. Eles é que partem para ação. Os primários, mais graúdos, têm principalmente a função reprodutiva. O morfo primário, assim, cria o “material humano” para atacar o animal que abrigará os vermes, e os secundários criam condições para que a “ocupação” aconteça. Muito engenhoso. Aparentemente, estivemos subestimando o poder de organização desses pequenos parasitas. [New Scientist]

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