quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por que as pessoas idosas “caducam”?


Se você, do mesmo modo que tantas pessoas, cresceu ouvindo a história de que é necessário sempre manter seu cérebro trabalhando para não caducar na velhice, temos uma notícia que pode não parecer tão boa: estudos de um centro médico em Chicago indicam que o aprendizado constante na terceira idade realmente adia qualquer disfunção mental, mas que nesse caso ela poderá vir com maior força, se acontecer.

É claro que os médicos não estão dizendo a você, aposentado, que não faça seu cérebro se exercitar com palavras cruzadas, xadrez e literatura, por exemplo. Estas práticas sempre foram consideradas saudáveis e continuam sendo. O que os psicólogosquerem dizer é que existe um limite: não sobrecarregue o seu cérebro na vida idosa, porque há um declínio natural de capacidade, e cria-se um limite, querendo ou não. Além disso, chega certa idade (variável para cada pessoa) em que já não se pode mais conter a perda parcial de lucidez, não importa o que se faça.

O estudo conduzido pelos pesquisadores de Chicago durou 12 anos. Foram recrutados 1.157 idosos, com idade igual ou superior a 65 anos, todos mentalmente saudáveis. O primeiro procedimento foi preencher um questionário em que cada um deveria apontar, em uma escala de 5 pontos (em que 5 significa “pratica diariamente” enquanto 1 equivale a “uma vez por ano ou menos”), com que frequência praticavam cada uma das sete atividades estimulantes ao cérebro: ver TV, ouvir rádio, jogar cartas e palavras cruzadas, ler jornais, ler livros, ler revistas ir a museus.

Durante a primeira metade do estudo (seis anos), os pesquisadores determinaram o número de indivíduos que tinham contraído problemas cognitivos suaves (como o Alzheimer, que é uma disfunção de memória) ou nenhum problema. Nos seis anos seguintes, passaram a fazer comparações com o período anterior, e chegaram ao seguinte resultado: aqueles que foram considerados sãos nos primeiros 6 anos tiveram uma redução de 52% na frequência das sete atividades cognitivas, do começo para o fim do estudo. Os que foram diagnosticados com Alzheimer, por sua vez, aumentaram essa taxa de atividades em 42%. Ou seja: os menos saudáveis mentalmente se exercitaram mais.

Na verdade, como explica um dos pesquisadores, a pessoa com um estilo de vida ativo cognitivamente tem doença mental mais grave quando esta é diagnosticada pela primeira vez, e ela deteriora mais rápido do que naqueles que a tiveram antes.

Mas os médicos afirmam que tais atividades, principalmente as que envolvem leitura, retardam a nossa decadência mental inevitável, de qualquer jeito. Assim, baseando-se por esta pesquisa, fica uma escolha ao chegar aos 60: exercitar o cérebro ao máximo para ter maior risco de uma disfunção acelerada, digamos, aos 90, ou não exercitar, ter uma disfunção leve, mas já aos 75 anos. O que sobra são as opções de exercício mental para ajudar a prorrogar o declínio normal que a natureza impõe. [Live Science]

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