quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Microeletrodos permitem transmissão do pensamento


Não consegue falar usando sua boca? Fale através do seu pensamento. Pesquisadores da Universidade de Utah descobriram uma maneira de pessoas paralisadas se comunicarem, através do uso de implantes de microeletrodos na parte superior do cérebro.

Os implantes de microeletrodos são posicionados a um milímetro de espaçamento um do outro, em duas áreas de intervenção diferentes do cérebro: o córtex motor facial e a área de Wernicke. O complexo motor facial controla o movimento de lábios, boca, língua e face, enquanto a área de Wernicke é ligada ao entendimento e compreensão da linguagem.

Diferente dos eletrodos tradicionais inventados meio século atrás, estes implantes de microeletrodos são muito menores e não penetram o cérebro, mas simplesmente encostam na cabeça.

Os sinais do cérebro de pessoas paralisadas podem ser traduzidos em palavras através da utilização de duas grades de 16 microeletrodos sob o crânio. Sua capacidade de trabalhar sem precisar de penetração os torna mais seguros para as áreas de fala do cérebro.

O uso de implantes de microeletrodos foi testado em um voluntário com graves crises epilépticas. Os pesquisadores colocaram os implantes entre o cérebro e o crânio devido a craniotomia prévia do voluntário (que é um afastamento temporário parcial do crânio), a fim de localizar e cessar cirurgicamente as convulsões.

Os pesquisadores fizeram o voluntário ler repetidamente 10 palavras que seriam úteis para ele, enquanto os sinais do seu cérebro foram registrados. As seguintes palavras foram repetidas de 31 a 96 vezes: sim, não, adeus, olá, mais, menos, quente, frio, fome, sede. Depois de gravar os sinais do cérebro do voluntário, a equipe tentou descobrir quais sinais representavam cada uma das 10 palavras.

Quando compararam as palavras “sim” e “não” ou “quente” e “frio”, os pesquisadores reconheceram os sinais do cérebro e acertaram o que ele quis dizer de 76 a 90% das vezes. Quando todos os sinais do cérebro foram comparados ao mesmo tempo, foi um pouco mais difícil saber em quais das 10 palavras ele estava pensando. A equipe só pode corresponder corretamente um sinal com uma palavra de 28 a 48% do tempo.

Mas o resultado foi melhor do que o esperado pelos pesquisadores, que acreditavam que as chances eram de 10%. Segundo eles, esta é uma prova de que o conceito funciona, e se a tecnologia for aperfeiçoada, será bastante útil.

Os pesquisadores também notaram resultados interessantes, como o fato de que a área de Wernicke está mais envolvida com a compreensão de alto nível da linguagem, e não palavras mais simples. A equipe foi capaz de distinguir os sinais de uma palavra 85% do tempo quando eles foram registrados a partir do complexo motor facial. Quando registrada da área de Wernicke, eles só foram capazes de distinguir os sinais 76% das vezes.

O passo seguinte da pesquisa é fazer redes de microeletrodos maiores. Assim, pode ser possível obter uma quantidade maior de dados, o que provavelmente significa que será possível pegar o sinal de mais palavras e com mais precisão. Ainda assim, o novo método precisar passar por uma série de melhorias antes de ser utilizado em testes clínicos. [DailyTech]

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