sábado, 18 de julho de 2009

Ásia: Ketamina lesa e assombra usuários


REUTERS JB ONLINE

DA REDAÇÃO - Sem odor, barata e fácil de consumir, a ketamina, que começou como uma espécie de cocaína de pobre, desbancou a heroína em Hong Kong por volta de 2000 e depois alcançou a maconha. Nos últimos anos, apesar de incursões de agências de combate às drogas em Hong Kong terem retirado a ketamina das casas noturnas, a oferta abundante e a facilidade de uso fizeram com que pessoas ainda mais jovens se tornassem viciadas e com que a droga fosse consumida em qualquer lugar.

– Seu uso está crescendo e temos viciados com 9 anos de idade – conta Sparkle Yu, assistente social da Caritas, grupo de auxílio católico em Hong Kong. – Antes, as pessoas a usavam em casas noturnas, agora as drogas fazem parte das suas vidas, as pessoas a usam todos os dias, nas casas, nos escritórios (banheiros), em todo lugar.

Yu lembra também como é fácil comprar. Os vendedores chegam a entregar a droga na porta do prédio onde as pessoas trabalham em menos de 15 minutos, revela.

Em geral, os usuários de ketamina misturam a droga, criada em 1962 como uma anestesia para animais, com outras substâncias. Para aumentar os lucros, os vendedores acrescentam pó de tinta descascada das paredes, giz e vidro quebrado que dá a mesma sensação de ketamina de boa qualidade.

As pessoas que consomem muito gastam apenas 100 dólares de Hong Kong (ou US$ 13) diariamente por três carreiras da droga.

Fontes acostumadas com o comércio dizem que a ketamina é amplamente manufaturada em forma líquida na China, e depois trazida para Hong Kong, onde ela pode ser transformada em pó que é cheirado pelos milhares de viciados.

Muitos jovens em Hong Kong cruzam a fronteira em direção à China para curtir as festas e uma oferta barata e farta de ketamina. Os usuários, alertam especialistas, ficam psicologicamente dependentes.

Em 2008, Hong Kong tinha estimados 8.309 usuários de drogas psicotrópicas dos quais 5.042 usavam ketamina, de acordo com um estudo. Metilanfetamina, ou “gelo”, está em segundo lugar com 1.360 usuários.

Popularização

Assim como o “gelo” e o ecstasy, a ketamina era usada em circuitos regionais de raves nos primeiros anos da década, aumentando em lugares como Taiwan, Bangkok, Cingapura e Malásia.

– Ela se espalhou além da Ásia para lugares como Canadá, particularmente em sua comunidade étnica chinesa. A tendência de drogas, assim como a moda, é passada por amigos – explica o psiquiatra Ben Cheung que trabalha com usuários de ketamina.

Problemas

Festeiros na Ásia que tomam o tranquilizante animal ketamina para efeitos alucinógenos podem enfrentar incontinência e outros problemas de saúde, segundo estudos de longo prazo sobre essa droga barata encontrada em raves.

Médicos em Hong Kong, onde a ketamina ficou popular como uma droga de festas há uma década, descobriram recentemente que usuários que consomem muito não conseguem controlar a bexiga e têm tendência a desenvolver dano cerebral de longo prazo.

– Os piores casos ocorrem com os jovens que precisam urinar a cada 15 minutos; eles não conseguem pegar um ônibus sem ter de descer para ir ao banheiro – explica Cheung. – As funções renais são afetadas; é uma séria consequência para a saúde que não esperávamos porque nunca foi vista em nenhum outro lugar.

(Reuters)
18:43 - 11/07/2009