quarta-feira, 1 de julho de 2009

Introdução - Telergia 2


Fluidos?-- Para explicar os fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos, muito se tem falado de fluídos (por tanto EN, extranormal) que emanariam do corpo humano. O grande parapsicólogo Robert Amadou em 1953 mostrou que esta idéia já constava em lendas e mitos da mais remota antigüidade.

A melhor prova da existência de certos "fluídos" encontraremos na comprovação e análise dos fenômenos. Não obstante, antes dessa prova indireta, exporemos algumas experiências e observações que pretendiam comprovar diretamente esse "fluído", que incluimos dentro do que, em geral, chamaremos desde já telergia.

O magnetismo animal - O Dr. Franz Anton Mesmer passa por ser o inventor da teoria (falsa) do magnetismo animal, também chamado mesmerismo: "Esta ação recíproca exerce-se por meio de correntes que saem e entram nos corpos, sendo tanto mais intensa a influência quanto maior for a analogia entre os corpos. Portanto, nada age mais eficazmente sobre o homem do que o mesmo homem". O agente dessa influência seria um fluido universalmente difundido, análogo, não idêntico, ao magnetismo físico.

Mesmer, porém, teve conhecimento de que um jesuíta, o Padre Maximiliano Hell, afirmava que "curava" doenças, especialmente do estômago e dos dentes, friccionando os pacientes suavemente com um imã. Mesmer começou então a pensar que o fluido universal poderia ser dirigido sobre o corpo de outra pessoa, influenciando-a e, por fim, curando-a (?). Mais tarde, soube que outro sacerdote, o padre I. I. Gassner, afirmava que curava (?) seus pacientes somente pelo tato. Influenciado por essas pretenções, Mesmer modificou pouco a pouco suas teorias, chegando a defender propriedades específicas no fluído ou magnetismo animal.

As idéias de Mesmer tiveram a mais ampla e rápida difusão. As controvérsias começaram também imediatamente.

A pedido do rei da França foram nomeadas, em 1784, duas comissões. A primeira constava de quatro médicos escolhidos pela Faculdade de Medicina, de París, e de cinco cientistas escolhidos entre seus membros pela Academia de Ciências, também de Paris. Entre estes, estavam os famosos sábios Franklin e Lavoisier. A segunda comissão foi nomeada pela Academia de Medicina, "Société Royale de Médecine". Ambas apresentaram parecer negativo, expressado em frases taxativas pelo seu relator, o Dr. Bailly: "Os membros da comissão (...) concluíram unanimemente (...) que este fluido (...) não existe".

De fato não houve tal unanimidade. Um dos comissionados, o Dr. Laurent de Jussieu, recusou-se a subscrever o relatório e publicou o seu próprio, concluindo (erradamente) que, às vezes, alguma coisa "passa do homem ao seu semelhante e produz uma ação sensível". (Sim, pura sugestão).

Passados sessenta anos, a Academia, em 1831, se retrata (erradamente) para em 1837 retratar-se da retratação (agora sim acertadamente).

Desenho significando os "fluídos".
O que diz a Ciência - As polêmicas tão acirradas no fim do século XVIII e primeira metade do século XIX, davam a impressão de que terminariam com uma posição quase unanime dos cientistas da segunda metade do século XIX, contra o mesmerismo, substituindo-o pelo hipnotismo (e sugestão). Mas a questão dos "fluidos" ou magnetismo animal, modificadas ou sob outros nomes, de novo entrou nas publicações da época.

Uma análise imparcial logo descobre dois erros. O erro dos mesmeristas, além de querer precisar prematuramente em que consistia essa força, foi o de querer reduzir ao chamado magnetismo animal, todos os fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos, inclusive externos ao corpo humano. O erro dos contraditores foi o de não admitir nenhuma manifestação do magnetismo animal ou de alguma força mais ou menos equivalente, explicando tudo pela sugestão, imaginação, cansaço, reflexos... E fora do corpo humano?

As exceções da regra - O Dr. Philips Durand de Gros, foi o primeiro a sistematizar admiravelmente a distinção entre mesmerismo e hipnotismo . Foi apoiado depois nada menos que pelo grande parapsicólogo Emile Boirac. Todos os fenômenos dos antigos mesmeristas, podem realizar-se sem "fluidos". Hoje isto é evidente. Mas isto não quer dizer que não se possa exteriorizar um "fluido" humano que age sobre objetos externos (veremos que sobre objetos físicos, animais pequenos e platas). Escrevia Durand de Gros: "A sugestão (ou hipnotismo) e o mesmerismo (quando age fora do corpo humano) são dois agentes diferentes, igualmente reais, independentes um do outro".

Hoje, se confirmavam as exceções que Jussieu admitia quando se negava a assinar o parecer totalmente negativo da comissão de 1784. O "magnetismo animal" (uma força humana, classificada então dentro do mesmerismo), ao menos em manifestação apreciável, pertence ao campo parapsicológico: manifestações à margem do normal, não são freqüentes, dão-se unicamente em algumas pessoas, em circunstâncias especiais.

Isto já fora descoberto por James Braid. Parecia que o famoso médico de Manchester daria um golpe mortal à teoria do mesmerismo, mas viu-se obrigado ele próprio a reconhecer que, em casos excepcionais, surgiam fenômenos maravilhosos que não podiam ser enquadrados na teoria de meramente hipnotismo. "Parece que se deve considerar o hipnotismo e o magnetismo como dois agentes diferentes".
Repetindo: o hipnotismo sobre pessoas, o magnetismo sobre objetos, plantas e animais pequenos.

O fluido "curador" - Os mesmeristas aplicavam seus fluidos com fins terapêuticos. Sem deixar de reconhecer, mais uma vez, que tais "curas" nada têm a ver com o fluido, não é menos verdade que, como se observou recentemente, os estudos científicos realizados pelos parapsicólogos com os curandeiros têm demonstrado que algiuns entre eles alguma vez manifestam telergia de modo notável.

Assim, por exemplo, no caso da Sra. Tommasini. Em 1939, os parapsicólogos doutores Boschi e Ruata, apresentaram-lhe pessoas colhidas dentre os próprios clientes. Comprovaram o "magnetismo" emitido pela Sra. Tommasini. Em alguns casos ficou excluída qualquer outra hipótese que não fosse este "magnetismo". Ela aplicava a mão sobre a parte afetada dos doentes, durante uns minutos, até vinte. A senhora Tommasini, educada e sincera, dizia sentir como que um esvaziamento de seu organismo. Experimentava um decréscimo de força, agitação nervosa, dores difusas. A emissão de fluido "curador" (?) fazia uma curva ascendente e logo descendente, a julgar pelos efeitos na Sra. Tommasini.

O caso da senhora Tommasini é típico em certa classe de curandeiros. Alguns magnetizadores ou mesmeristas especiais, devem classificar-se neste mesmo contexto parapsicológico.
Outras vezes, o magnetismo de alguns curandeiros se deduz indiretamente. O Dr. J. Esdaille foi um dos mais importantes cirurgiões dos chamados mesmeristas. E' claro que tratava-se de hipnotismo e não de mesmerismo. O ambiente, aliás, em que exercia sua profissão, ajudava muito à sugestão... Calcutá era, naquele tempo, um outro mundo. Seus indígenas eram pessoas simples, abertas a toda classe de crendices e mistérios, impressionados pelo prestígio do cirurgião europeu.

Numa ocasião, porém, aparece o magnetismo: os ajudantes de Esdaille se esforçaram, em vão, por colocar em sono hipnótico um paciente. O Dr. Esdaille se aproxima subreticiamente, por trás, e sem ser percebido pelo paciente logo o "magnetiza", colocando-o em profundo sono.

Noutra ocasião, um menino de doze anos não quer deixar-se hipnotizar. Para que não se distraísse, os ajudantes do Dr. Esdaille vendaram-lhe os olhos. Inutilmente tentaram hipnotizá-lo. Sem ser percebido pelo menino, Esdaille faz os passes "magnéticos", colocando o menino em transe tão profundo, que puderam fazer, sem anestesia, uma difícil e prolongada operação cirúrgica no braço, recolocando os ossos de uma fratura complicada. A criança só acordou três horas mais tarde.

Estes casos são fenômenos parapsicológicos. O que aqui nos interessa é que Esdaille, como tantas outras pessoas semelhantes, parece ser um psíquico capaz de liberar certas forças parapsicológicas e, concretamente, o chamado "magnetismo animal". E essa força, captada, mesmo levissimamente pelo paciente, desencadeava a hipnose, por sugestão.

Grandes cientistas, independentemente dos mesmeristas, afirmam ter comprovado e descoberto o fluido humano de certos curandeiros. Por exemplo, os efeitos "desta propriedade tem sido observados nos enfermos, em 1846, por Arago e em 1858 pelo Dr. Pineaud. Em 1868 Bailly sustentava numa tese a existência de uma "força nêurica radiante".

Em 1880 o Dr. Baréty, servindo-se de uma jovem histérica, acreditava ter posto em evidência a existência de "uma força particular do corpo humano conhecida vulgarmente sob o nome de magnetismo animal" e que ele, seguindo Bailly, que já citamos, chama "força nêurica radiante", na volumosa obra que publicou após sete anos de investigação.

"Fluídos" emanando de uma psíquica em experiências de
telecinesia.

Sintomas de desgaste físico - O "esvaziamento" orgânico do mesmerista tem sido notado. É evidente que tal "esvaziamento", ao menos em grandíssima proporção, não passa de uma auto-sugestão, contra a qual advertem aos principiantes todos os bons manuais de hipnotismo. Mas, há casos e casos. Alguns psíquicos, ignorantes inclusive das idéias mesméricas, até adversários do mesmerismo, têm experimentado maior ou menor "esvaziamento" próprio.

Eis uma descrição modo de exemplo: "Não posso deixar d advertir os efeitos que o ato de magnetizar realiza em mim, como magnetizador. Sinto após cada manipulação algo prolongada, uma diminuição de minhas forças, uma debilidade que me molesta os joelhos ao caminhar depois de magnetizar. A cor de meu rosto passa a amarelo-pálido, perco o apetite, a digestão se dificulta, não sinto nenhum desejo sexual... custa-me pensar... estes fatos não guardam nenhuma relação com o esforço muscular que realizo durante as manipulações, pois é escasso. Pressupõem, necessariamente, perda do meu fluido vital".

Este fato tantas vezes afirmado por alguns curandeiros, era já interpretado (erradamente!) por Mesmer de outro ponto de vista: "Um corpo em situação de harmonia é insensível ao magnetismo;... pelo contrário, um corpo que tenha perdido a harmonia (doente), embora de ordinário não fosse sensível ao magnetismo é-o agora... Curada a doença, o magnetismo perde seu influxo. A receptividade do magnetismo aumenta com as doenças".

Pessoas "elétricas" -- Ângelo Achille, chamado " o Mago de Nápoles", foi estudado em 1947 por uma comissão de parapsicólogos da "Societá Italiana de Metapsichica", de Roma. Além de constatar incontestavelmente, alguns movimentos de objetos, à distância (telecinesia) e alguns outros fenômenos parapsicológicos, o professor Maurogordato comprovou que Achille, quando da realização dos fenômenos, manifestava um potencial elétrico de duzentos milivolts (nas demais pessoas este potencial oscila entre 24 e 40) do que procedia, ao menos em parte, o seu "poder magnético".

Casos semelhantes são freqüentes, dentro, claro está, da raridade dos fenômenos Parapsicológicos.

http://www.clap.org.br/artigos/fenomenos/f_telergia2.asp