quinta-feira, 16 de julho de 2009

Onde é que vamos parar, Santo Deus?


Os parentes de Eva Adão ficaram quatro dias sem saber do seu paradeiro, depois de ter dado entrada no banco de urgência deste hospital. Ela, afinal, já estava morta.

SEMANÁRIO ANGOLENSE

A direcção da instituição só com pressão da imprensa é que resolveu esclarecer o caso, falando de uma alegada «troca» de nomes…
Paciente «desaparece» no «Josina Machel» Os restos mortais da cidadã Eva
Adão, 43 anos, que foi dada como desaparecida pelos familiares 24 horas depois da mesma ter dado entrada no banco de urgência do Hospital Josina Machel, segundo noticiara a Rádio Ecclesia na segunda-feira, foram sepultados quarta-feira última no cemitério do Camama.

Os momentos que antecederam a morte de Eva Adão foram marcados por uma situação pouco comum de se ver num país que se preze. Conforme narrado por André Francisco, irmão da falecida, Eva Adão padecia de malária e deu entrada no banco de urgência do Hospital Josina Machel às 19 horas do dia 24 de Junho, também uma quarta-feira, depois de ter passado pelo Hospital dos Cajueiros, no Cazenga. Um dia depois, Eva Adão já não se encontrava no banco de urgência onde foi atendida inicialmente. «Procuramos por todo hospital e não encontramos a minha irmã. Os médicos diziam que só o pessoal do turno anterior podia dar explicações», diz André Francisco ainda consternado.

O nosso interlocutor diz que na altura, e nos dias que se seguiram, fizeram todas as diligências no sentido de encontrar Eva Adão. «Disseram-nos que no computador estava registado que ela tinha recebido alta, mas nós sabíamos que não», diz o irmão da desditosa senhora. Acrescentou que fizeram de tudo para encontrarem a sua parente, inclusive falaram com o director da instituição, mas esta mostrou pouco interesse em resolver o caso, até que recorreram à imprensa, no dia 29 de Junho, segunda-feira. Nesse dia, sob pressão do jornalista da emissora católica angolana, a direcção do Josina Machel reúne a equipa medica em serviço no dia 24 e conclui-se que, afinal, Eva Adão acabara por falecer a 25 de Junho, mas que, no relatório, o seu nome havia sido trocado com o de uma outra paciente que entretanto recebera já alta, no dizer da instituição.

Esta falha, associada à falta de comunicação entre os dois turnos é que terá causado os constrangimentos que levaram com que os familiares de Eva Adão ficassem sem saber o seu paradeiro durante 4 dias, o tempo em que ficou desaparecida. Eva Adão vivia no município do Cazenga, na zona das antenas. Estava desempregada, dedicando-se esporadicamente ao comércio informal. Mas na maior parte do tempo, para a sua subsistência e dos três filhos, dependia da ajuda de familiares e vizinhos. SA