APELO AO PR JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS. O banco millennium Angola na rua rei Katyavala roubou-nos o terreno e nele montou um gigante gerador que dia e noite nos mata com fumo mortal. Não se justifica este crime horrível porque há energia eléctrica. Os moradores já se queixaram mas em vão. Já há anos que vivemos de janelas e portas fechadas. Apelamos para que V. Ex.ª ordene o fim imediato deste crime e que os culpados sejam enviados para a justiça e que os lesados recebam as devidas indemnizações.

sábado, 4 de julho de 2009

Fibrilação auricular. Caos eléctrico no coração


Actualizado sábado 04/07/2009 01:54 (CET)

CRISTINA G. LUCIO EL MUNDO

MADRID.- "Jovem, activo e sem preocupações de saúde", Ángel Rabadán não esperava receber más notícias quando, em 1997, decidiu submeter-se a uma revisão rotineira. Porém, o gesto do então funcionário da Assembleia municipal de Madrid, torceu-se quando o médico lhe disse "não podes ir, o electrocardiograma não é normal".

O diagnóstico chegou em seguida: fibrilação auricular. Segundo lhe explicaram, havia um problema com o ritmo do seu coração. A actividade eléctrica da aurícula era caótica, o que afectava a regularidade da 'bomba' vital.

Ángel compreendeu então que essas "palpitações e cansaço" que levava notando há um par de anos e às quais "não havia dado nenhuma importância" eram consequência da enfermidade.

Segundo explica Jesús Almendral, chefe do serviço de Electrofisiologia Clínica do Hospital de Sanchinarro de Madrid, é habitual que o transtorno permaneça oculto durante um tempo. "Há pessoas que, sobretudo ao princípio, não notam nenhum sintoma o que atribuem ao esgotamento, o pulso acelerado ou a fatiga que apreciam noutras circunstâncias", comenta.

No caso de Ángel, havia, ademais, outros factores que haviam 'escondido' o diagnóstico. Era jovem – só 41 anos – e o seu coração não apresentava nenhuma patologia prévia, algo pouco habitual no transtorno. Por isso, os médicos catalogaram o seu quadro como 'raro'.

Segundo dados da secção de Electrofisiología e Arritmias da Sociedade Espanhola de Cardiologia, esta enfermidade é mais comum em pessoas de idade avançada – ao redor de 10% dos maiores de 75 anos padece-a – e só aparece em pacientes com problemas de hipertensão, valvulopatias ou que tenham sofrido um enfarto ou angina de peito.

Ángel tinha um bom prognóstico e começou a tratar-se com fármacos anti arrítmicos e anticoagulantes (para evitar embolias, a complicação mais grave do transtorno). Porém, a enfermidade não respondia e as palpitações e o cansaço que ao princípio só notava de vez em quando começaram a instalar-se na sua vida diária.

As náuseas e síncopes não tardaram em chegar. "Estava muito limitado, passava fatal. Desvanecia-me cada dois por três e o pulso podia chegar-me a 180 incluso estando sentado, era desesperante", comenta Rabadán, quem assegura que não olvidará o dia em que perdeu o conhecimento na praia das suas duas meninas pequenas.

"Chegou um momento em que acreditei que assim não poderia viver", assegura.

Fármacos ou cirurgia
Porém, este madrileno recuperou a esperança depois de passar pela sala de operações para submeter-se a uma ablação da fibrilação auricular com cateter, uma técnica relativamente nova que é capaz de 'anular' a zona onde se produz a falha eléctrica no coração, pelo que este recupera a normalidade.

"Supõe praticamente a cura", comenta o especialista do Hospital Clínico de Barcelona Josep Brugada, quem preside a Sociedade Europeia de Arritmias desde 2007.

"Nos últimos 20 anos produziram-se importantes avanços no âmbito das arritmias, como o desenvolvimento desta técnica, que permite melhorar a qualidade de vida do paciente", ajuntou.

Coincide com o seu ponto de vista Jesús Almendral, todo um pioneiro em Espanha na realização desta técnica quem, contudo, recorda que nem todos os pacientes com fibrilação auricular podem beneficiar-se dela.

"Sempre há que valorar os riscos, pelo que se pode aplicar em pacientes de idade não muito avançada, que não tenham o coração alterado e que não estejam bem controlados com medicação", sublinha Almendral.

"Há que avaliar o caso de cada pessoa", acrescenta este especialista. Dependendo da idade, dos sintomas e a resposta, o médico decide se tratar só pelos medicamentos – para tratar o ritmo ou a frequência –, que em muitas pessoas são efectivos, ou optar por outras técnicas, como a ablação ou incluso a cirurgia.

Precisamente, a agência estado-unidense do medicamento (FDA pelas suas siglas em inglês) acaba de aprovar um novo fármaco, a dronedarona, para tratar este transtorno, que parece que se relaciona com um menor número de efeitos secundários.

Três anos depois de submeter-se à intervenção, Ángel assegura que a sua vida mudou por completo. Submete-se a revisões periódicas, sobretudo porque segue necessitando apoio farmacológico com antiarritmicos -fármacos que se associam com importantes efeitos secundários – e, ademais, evita comidas copiosas e substâncias estimulantes, como o álcool. Mas não voltou a ter novas crises. "É como se houvesse voltado a nascer", conclui.

(Ilustração: Luis S. Parejo)

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