terça-feira, 3 de novembro de 2009

EUA criticados por não usarem a mesma vacina que a Europa


O facto dos Estados Unidos não quererem usar exactamente o mesmo tipo de vacina contra a gripe A que é usada na Europa está a suscitar críticas por parte dos peritos.

Pedro Duarte 29/10/09 19:30 DIÁRIO ECONÓMICO

A questão sobre as vacinas usadas na Europa e nos Estados Unidos prende-se com o uso de um aditivo especial destinado a aumentar a eficácia da vacina, uma prática comum na Europa, mas que é rejeitada pelas autoridades norte-americanas.

Segundo o “Wall Street Journal”, as autoridades norte-americanas têm estado receosas de usarem o aditivo, o qual é usado com segurança na Europa há mais de uma década, afirmando que não acreditam que esta medida seja necessária, uma vez que a vacina contra o vírus H1N1 actualmente existente não necessita de reforço para ser eficaz.

“Quando se dão produtos a milhões de pessoas saudáveis, queremos ter à nossa disposição o máximo de dados possíveis”, disse ao jornal o cientista chefe da autoridade reguladora dos EUA para os fármacos, Jesse Goodman.

Já para os peritos europeus, a atitude dos EUA é intrigante, em particular porque as reservas da vacina não estão a aumentar ao ritmo esperado.

No que diz respeito a aditivos, os EUA “são muito, muito conservadores. E muito para além do que eu considero racional”, disse David Fedson, perito francês em vacinação que já trabalhou para as autoridades dos EUA.

Este perito nota que a atitude americana “talvez não faça diferença numa situação de pandemia moderada. Mas numa grande pandemia, talvez possa fazer diferença”.

Mais vacinas com o mesmo medicamento

O aditivo usado na Europa permite usar doses bastante mais pequenas do principal ingrediente das vacinas contra a gripe A, chamado ‘antigen’, em cada injecção, o que permite que sejam dadas mais vacinas.

O “Wall Street Journal” adianta que um dos aditivos, feito pela Novartis, tem sido usado na Europa há doze anos. A empresa diz que mais de 40 milhões de doses foram dadas com um bom historial de segurança.

“Penso que os Europeus disseram: ‘Não vamos ter vacinas suficientes se usarmos uma vacina sem aditivo’, e quiseram garantir que a população tinha acesso a uma vacina adequada”, disse Martin Friede, perito adjunto da Organização Mundial de Saúde, em Genebra.

Na quarta-feira o “Diário de Notícias” revelou que a vacina contra o H1N1 usada na Europa, a ‘Pandemrix’, era rejeitada pelos EUA por poder alegadamente causar danos à saúde.

O jornal citava casos na Alemanha em que as pessoas se recusavam a receber a vacina porque os políticos e os funcionários de topo alemães recebiam uma vacina preventiva antes de tomarem a vacina contra a gripe A.

Hoje a autoridade nacional do medicamento portuguesa revelou esperar receber “milhares” de notificações de reacções adversas à vacina contra o vírus H1N1, embora até agora ainda não tenham sido registados casos deste tipo.