quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Internet – nasce o supercérebro global.


A China, por exemplo, insiste em que todos os usuários da rede sejam registrados e identificáveis, quando conectados, e bloqueou acesso a sites considerados perigosos.

Michael Brooks - da "New Scientist"

http://www.professorinterativo.com.br/ivan/artigos/069_internet.htm

"Não usar uma rede inteligente será um pouco como as pessoas que se recusam a usar carros ou telefones", disse Heylighen. "Sempre houve pessoas que vivem fora dos limites da sociedade. Mas essas pessoas tiveram uma vida muito mais difícil." Heylighen diz acreditar que as pessoas comuns não têm nada a perder por se tornar parte do cérebro global.

Mas ele sugere que será diferente para as pessoas e organizações que já têm poder e status: elas serão forçadas a dividir algumas de suas vantagens com o resto das pessoas. É exatamente por isso que Estados controladores desconfiam da Web e buscam limitar sua eficiência, defende Heylighen. A China, por exemplo, insiste em que todos os usuários da rede sejam registrados e identificáveis, quando conectados, e bloqueou acesso a sites considerados perigosos. A visão de Johnson da Web inteligente é sutilmente diferente da visão de Heylighen de um superorganismo global.

Ele a vê como uma extensão da sociedade. "Nossa premissa é a de que sistemas podem ser mais inteligentes do que indivíduos", disse. "Um grupo diverso de pessoas pode resolver problemas bem melhor do que um especialista: essa é a razão de termos sociedade." Desenvolver inteligência simbiótica, defende Johnson, será um passo positivo para a sociedade: a experiência e a sabedoria de qualquer indivíduo nunca mais serão perdidas. As vastas capacidades da Internet ajudarão a resolver os problemas enfrentados pela sociedade humana; o todo já é maior que a soma das partes.

Inteligência simbiótica
Trabalhando com outros pesquisadores de Los Alamos, Johnson formulou programas que demonstram isso. Os pesquisadores mandam indivíduos gerados por computador para explorar um labirinto. Uma vez que cem deles tenham atravessado o labirinto, o computador cria um mapa de suas preferências. A próxima geração usa a informação para escolher o caminho. Em média, indivíduos desinformados levam 34 passos para escapar; a segunda geração, informada, leva uma média de apenas 12. Conforme o número de indivíduos na coletividade aumenta, a solução fica cada vez melhor.

Na Internet, o mesmo processo deu origem às listas "pessoas que compraram esse livro também compraram..." do site Amazon.com. Agora cada um pode ter acesso às escolhas de compra de livros ao redor do mundo, que inconscientemente podem ajudar na escolha de livros.
Agora é o momento de pegar esse princípio e integrar a Internet totalmente à forma com que a sociedade humana trabalha, afirma Johnson. Uma rede mundial de pessoas usando computadores interconectados criaria um tipo de "memória coletiva", em acréscimo ao poder cerebral individual. Com pessoas fazendo mais e mais de suas atividades diárias na Web, há a oportunidade de acesso ao conhecimento de uma comunidade global. Eventualmente haverá pequena distinção entre pessoas, computadores e cabos -tudo se combina para criar uma inteligência simbiótica.

Na imagem de Johnson, humanos são componentes importantes do superorganismo global, mas quantas pessoas aceitariam ser assimiladas dessa maneira?
Estranhamente, Johnson e Heylighen não vêem seu trabalho como um desafio à individualidade. Um usuário será capaz de reter o controle, programando seus links favoritos para serem indestrutíveis, por exemplo.

Para os céticos, Johnson aponta que os seres humanos já dependem de um mecanismo incompreensível e vasto chamado sociedade. Pergunte a uma formiga como ela encontra comida e ela não será capaz de dizer. Pergunte às pessoas como a televisão funciona e elas não saberão mais do que os fundamentos. Confiam nas organizações para obter coisas que querem sem precisar entender como funcionam. Serão capazes de confiar em uma rede inteligente exatamente do mesmo jeito, argumenta Johnson.

Providencie cópias dos seus arquivos, finja que não é com você e mantenha a cabeça abaixada. Há uma inteligência crescendo lá fora, e ela sabe o seu e-mail.