quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um homem volta a si depois de coma de 23 anos


O paciente, um suposto caso de coma, foi rediagnosticado por uma equipa belga

EMILIO DE BENITO EL PAÍS – Madrid – 23/11/2009

"É um caso particular e atípico", pois também uma amostra do importante que é um campo relativamente recente, o que permite diferenciar entre o coma, o estado vegetativo e o minimamente consciente. Assim ao menos o descreve Caroline Schnakers, do Grupo de Ciência do Coma da Universidade de Lieja (Bélgica), a situação de Rom Houben, um homem que agora tem 46 anos e que desde os 20 até aos 43 se considerou completamente desconectado do mundo.

"Não sabemos como, mas a notícia soube-se agora, ainda que o paciente já leva vários anos comunicando-se", declarou Schnackers, que reagia a dar mais informação para respeitar a intimidade do paciente.

Mas o que se sabe é que o homem sofreu um acidente de carro, depois do qual se lhe diagnosticou um coma. E com esse critério se lhe tratou até que uma revisão das provas permitiu aventurar que não estava tão desconectado. Mais que um problema de recuperação do paciente, estamos ante uma melhoria das técnicas do diagnóstico", disse Schnakers. "O coma dura duas ou três semanas. Logo se passa a um estado vegetativo".

"Nem o próprio paciente pode dizer quanto tempo passou que foi minimamente consciente do seu estado. Nestas fases, sucede como quando se sai da anestesia, que tudo está obscurecido e o conceito do tempo não se tem claro", explica a investigadora. Isto não se explica como pode transcender a história nem de onde saíram umas supostas declarações que Houben fez ao Daily Telegraph. A médica só admite que o homem se comunica mediante um dispositivo conectado a um computador. Mas as declarações que recolhe o periódico britânico fazem tremer. "Sonhei que me ia", afirma. "Gritei, mas não havia nada que escutar". "Quero ler, falar com os meus amigos mediante o computador e desfrutar da vida agora que a gente sabe que não estou morto", disse.