sexta-feira, 15 de maio de 2009

Anestesia Consciente. DIDA


Cerca de 21 milhões de pessoas recebem anestesia geral por ano. E o resultado esperado é que as pessoas durmam pacificamente para que possa ser feito à cirurgia necessária no paciente. Hoje em dia um número considerável de pessoas, mas especificamente 30 mil, encontram-se incapazes de dormir ao decorrer do processo, isso é o fenômeno que podemos chamar de Anestesia Consciente.

Esse despertar inadvertido durante a anestesia (DIDA), ocorre quando um paciente sob o efeito da anestesia geral se torna consciente de algum ou de todos os eventos durante a cirurgia ou um dado procedimento e tem a recordação direta daquele(s) evento(s). Por causa do uso rotineiro dos relaxantes neuromusculares durante a anestesia geral, o paciente é frequentemente incapaz de comunicar-se com a equipe cirúrgica se esta complicação ocorrer.

A anestesia geral tem a função de bloquear os estímulos dolorosos que são conduzidos através da medula espinhal. A medula espinhal é parte do Sistema Nervoso Central, ocupando o canal vertebral da coluna. É da medula espinhal que emergem quase todos os nervos responsáveis pela nossa sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa) e pela motricidade voluntária (movimentos).

Em síntese o processo normal de anestesiar um paciente consiste em aplicar primeiro um medicamento que cause a sedação, posteriormente se aplica uma anestesia e finalmente um paralisante para evitar qualquer movimento por reflexo. Entre os passos dois e três não existe um tempo de espera para ver se a pessoa está em estado profundo de inconsciência, desse modo se o paciente ficar consciente ele não conseguirá gritar por ajuda, nem se mexer por causa do paralisante que nele fora aplicado. Para o médico o paciente está, aparentemente dormindo, mas de qualquer forma eles estão fatidicamente acordados.

Pessoas que sofreram essa anestesia consciente geralmente sofrem de síndrome de stress pós-traumático, pois vivenciaram, com dor e uma grande pressão psicológica, médicos abrirem e manipularem seus órgãos.
Esse fenômeno ocorre anualmente com bastante freqüência nos EUA, no Brasil desconheço alguma estatística para tais pacientes que vivenciaram DIDA, mas é de convir que deva ser uma experiência agonizante, medonha, sentir dor e desespero e não poder fazer nada, é a impotência inegável.

Hoje em dia a nossa única preocupação ao enfrentar uma raquianestesia não é mais o medo de como irá reagir com ela depois, se irá vomitar ou algo do tipo, agora meu medo é outro, por mais que não seja tão corriqueiro é real, a consciência e a impotência do despertar inadvertido durante a anestesia.

Awake é um filme que relata de forma excelente esse fenômeno, com uma trama enlouquecente.
Existe um site ótimo para quem quiser ler mais sobre o assunto: http://www.anestesiologia.com.br/

http://ingridcerveira.blogspot.com/