terça-feira, 8 de maio de 2012

Centro de Investigação em Saúde da Manhiça. Vacina contra a malária apresenta 55% de eficácia


Até 2013 espera-se que sejam apresentados os resultados definitivos da vacina. Depois da divulgação definitiva dos resultados a vacina não estará imediatamente no mercado nacional, porque terá que esperar pela validação da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas espera-se que a vacina esteja disponível no Sistema Nacional de Saúde, até 2014.

Maputo (Canalmoz) - O Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), que foi criado em 1996 com a vocação principal de investigar e fazer ensaios clínicos para a descoberta de uma vacina de prevenção da Malária (doença que constitui a principal causa de mortalidade em Moçambique), divulgou resultados preliminares das suas pesquisas e diz que a vacina que está a desenvolver foi testada e apresentou eficácia de 55% na protecção contra a transmissão da malária pela picada do mosquito.
Por outro lado, o CISM, de acordo com o respectivo director, Eusébio Macete, está neste momento a liderar ao nível do continente africano vários ensaios clínicos para a descoberta de novas vacinas de prevenção contra outras patologias consideradas endémicas no país e no mundo em geral como: tuberculose, diarreias e HIV-Sida. Macete falava à imprensa sexta-feira última durante uma visita ao CISM efectuada pela Associação Moçambicana de Rede de Jornalistas de Luta Contra a Malária.
O director do CISM disse que o sucesso nas pesquisas do centro fez com que muitas agências internacionais que financiam estudos e ensaios clínicos na área de saúde continuem a depositar confiança no CISM ao canalizar apoios financeiros para suportar as actividades desta instituição.
“Graças a Deus, todos os projectos planificados pelo CISM para os próximos anos não estão ameaçados, porque já recebemos garantia de todas as agências internacionais que financiam as nossas actividades de que irão continuar a apoiar-nos financeiramente”, realçou Eusébio Macete.
“Neste momento, estão em curso aqui ao nível do CISM cerca de 30 projectos de investigação e ensaios clínicos para a descoberta de novos fármacos e vacinas de prevenção contra doenças consideradas endémicas no país e, graças a Deus não vão parar por falta de financiamento”, explicou o director do CISM.
Na mesma ocasião Eusébio Macete disse que cerca de 30% dos recursos que financiam as actividades e funcionamento do CISM são provenientes directamente da Cooperação Espanhola em Moçambique e os restantes 70% são desembolsados pelo governo moçambicano, através do Ministério da Saúde em parceria com as agências internacionais de ajuda ao desenvolvimento.

Resultados da vacina serão publicados no próximo ano

Entretanto, os resultados definitivos da vacina contra a malária no país vão ser publicados em Dezembro próximo, altura em que se espera que estejam concluídos os ensaios clínicos em curso neste momento na sua terceira fase. O facto foi avançado aos órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros pelo investigador do CISM, Jahit Sacarlar, durante a mesma visita efectuada pela Associação Moçambicana de Rede de Jornalistas de Luta Contra a Malária.
Recorde-se que depois da divulgação definitiva dos resultados a vacina não estará imediatamente no mercado nacional, porque terá que esperar pela validação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O director do CISM disse esperar que a vacina esteja disponível no Sistema Nacional de Saúde até 2014.
Em Moçambique, a malária é responsável por 60% das consultas diárias nas unidades sanitárias públicas. E também lidera as causas da mortalidade. (Raimundo Moiane)
Imagem: Vacina contra malária tem ''pais'' brasileiros
shdafiocruz.blogspot.com