quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Atribuídos à sociedade civil para combate ao HIV/SIDA. EUA endurecem vigilância na aplicação de fundos


Associações comunitárias receberam mais de um milhão de dólares para aplicar no combate ao HIV-SIDA, mas o embaixador dos EUA em Moçambique, Douglas M. Griffiths, deixou aviso que aqueles que não souberam gerir e justificar os fundos usados, não mais receberão financiamento do Programa de Apoio a Pequenos Projectos do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos da América para o Alívio do SIDA (PEPFAR)

Maputo (Canalmoz) - Um total de 29 associações comunitárias, que operam nas áreas de combate ao HIV/SIDA, foram reforçadas com mais recursos financeiros para desenvolverem as suas actividades de prevenção e combate ao HIDA/SIDA. Mas foram alertadas pelo financiador para necessidade de fazerem uma boa gestão dos fundos sob pena de não mais receberam o financiamento caso não saibam gerir.
O fundo avaliado em cerca de 1.4 milhões de dólares americanos foi disponibilizado pela embaixada dos Estados Unidos da América (EUA), no âmbito do Programa de Apoio a Pequenos Projectos do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos da América para o Alívio do SIDA (PEPFAR). O financiamento é válido para um período de um ano. A principal finalidade deste financiamento, segundo soube o Canalmoz
, é para a implementação de projectos nas áreas de prevenção de transmissão do HIV/SIDA, fortalecimento de sistemas de saúde, formação profissional e implementação de actividades de geração de renda para as pessoas afectadas ou que vivem com o HIV/SIDA.
O acordo de financiamento foi rubricado segunda-feira última pelo embaixador dos EUA para Moçambique, Douglas M. Griffiths, e as 29 associações comunitárias algumas dais quais Associação da Mulher na Comunicação, Associação dos Pastores na luta contra HIV/SIDA, entre outras.
Falando no encontro, o embaixador reconheceu os esforços que várias associações têm feito no combate ao HIV/SIDA, mas apelou às associações a pautarem por gestão transparente dos fundos disponibilizados sob pena de não receberem mais fundos caso não saibam gerir os fundos. Reconhecendo a existência de casos de má gestão de fundos por parte de algumas ONGs, Douglas M. Griffiths, alertou que a embaixada deverá, permanentemente, fiscalizar todas as actividades desenvolvidas pelos grupos beneficiários do fundo do Programa de Apoio a Pequenos Projectos do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos da América para o Alívio do SIDA (PEPFAR). “Exigiremos que todas as associações provam com todo os meios evidentes, através de recibos ou facturas sobre os investimentos feitos durante as suas actividades, no âmbito de combate ao HIV/SIDA. Então, se descobrirmos que houve algum caso de má gestão essa associação não mais terá direito a fundos”, referiu o embaixador dos EUA para Moçambique, durante a conferência de Imprensa.

Beneficiários

Este financiamento às associações comunitárias de combate ao HIV/SIDA por parte da embaixada americana acontece dias depois de os doadores internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Comum terem cortado o apoio de 17 milhões de dólares que era financiado ao Conselho Nacional de Combate ao Sida. No entanto, para os beneficiários, o financiamento significa existência ainda de uma esperança para as acções de combate ao HIV/SIDA. Os beneficiários do financiamento prometeram conduzir suas actividades de prevenção contra HIV/SIDA, preferencialmente virado para as populações das zonas rurais e peri-urbanas. A metodologia será a produção de panfletos e produção de programas radiofónicos, sobretudo para aquela população iletrada.
Palmira Velasco, presidente das Associação das Mulheres na Comunicação Social, cuja organização recebeu 24.800 mil dólares, disse que este valor será implementado em acções de produção de panfletos e de programas radiofónicos na perspectiva de combater HIV/SIDA. Segundo revelou a fonte, a maioria desses programas serão na língua local, para o caso de Maputo, em Ronga.
Refira-se que globalmente, cada ano os Estados Unidos providenciam mais de 500 milhões de dólares de assistência a Moçambique. Como parte desse pacote de assistência, a embaixada dos EUA oferecem subsídios que apoiam projectos locais de base comunitária para actividades relacionadas com a prevenção do HIV/SIDA, sendo que este ano foi concedido 1.4 milhões a 29 parceiros. (António Frades)
Imagem: en.wikipedia.org