terça-feira, 4 de setembro de 2012

Há cada vez mais não fumadores com cancro do pulmão


Por Andrea Cunha Freitas http://www.publico.pt
Uma equipa de especialistas em França analisou, com um intervalo de uma década, mais de 7600 novos casos de cancro do pulmão e apresenta nesta terça-feira os resultados no congresso anual da ERS, que se realiza em Viena. Comparando os dados obtidos em 2000 e em 2010, o que os investigadores encontraram foi um aumento do número de 4 pontos percentuais nos não fumadores e de oito nas mulheres afectadas com cancro de pulmão de não-pequenas células, o tipo mais comum (80 a 90% dos casos) deste cancro. Por outro lado, nota-se também que há mais diagnósticos feitos na fase mais adiantada do cancro. E se há quem aponte para a emissão de gases diesel com um dos possíveis culpados, a verdade é que ninguém sabe dizer por que é que isto está a acontecer.

No que se refere aos não fumadores, o aumento do número de casos entre 2000 e 2010, relatado pelos especialistas, é de 7,9% para 11,9% do total de pessoas afectada por cancro do pulmão. Mais notório ainda é o caso das mulheres (fumadoras e não fumadoras) com um número que cresceu de 16% para 24,4%. O comunicado divulgado pela Fundação Europeia do Pulmão sobre este estudo sublinha que no caso das mulheres o aumento se verificou sobretudo entre as que não fumam já que nas doentes fumadoras ou ex-fumadoras as taxas parecem estáveis (64% em 2000 e 66% em 2010). Os resultados mostram ainda que há menos homens com este tipo de cancro e que a taxa de homens que nunca fumaram aumentou na última década.

Sobre o diagnóstico, os especialistas indicam que 58% dos casos de cancro são detectados já na fase 4, a mais adiantada da doença. Neste capítulo, sobra mais uma preocupação quando se comparam os valores encontrados em 2000 e em 2010, notando-se um aumento de 15 pontos percentuais. Porém, os investigadores acreditam que este resultado pode estar relacionado com uma nova forma de classificar as diferentes fases da doença.

E sobre as razões que explicam estes novos números? Os especialistas não arriscam uma resposta, sublinhando que é preciso estudar este fenómeno. Citado no comunicado, Chrystele Locher, principal autor do estudo, nota que “recentemente, a Organização Mundial de Saúde classificou os gases diesel como carcinogénicos, mas é preciso investigar mais para perceber quais são os outros factores que estão a fazer com que o cancro de pulmão aumente entre os não fumadores”. O especialista aproveita ainda para sugerir a preparação de campanhas antitabágicas dirigidas especialmente às mulheres, já que neste grupo não houve uma evolução positiva na última década.