domingo, 23 de setembro de 2012

Parto hospitalar não é mais seguro que parto domiciliar


Quando se fala em realizar um parto dentro de casa, sem a estrutura disponível em um hospital, muitas pessoas olham com desconfiança. Contudo, ao revisar um estudo sobre o tema (publicado em 1996), uma dupla de pesquisadoras concluiu que o parto domiciliar pode ser até mais seguro do que o hospitalar.
De acordo com a especialista em estatística Ole Olsen e a professora de obstetrícia Jette Aaroe Clausen, mais países deveriam oferecer serviços de parto domiciliar adequados e dar a futuras mães mais informações sobre a prática – o que permitiria uma escolha mais consciente. “Se o parto domiciliar se tornar uma opção atrativa e segura para a maior parte das mulheres grávidas, ele deve ser integrado aos sistemas de saúde”, acrescenta Olsen.
Ao realizar uma revisão sistemática de um estudo (selecionado entre seis) sobre o tema, conduzido com 11 mulheres, elas concluíram que não há evidências suficientes de estudos experimentais para favorecer o parto hospitalar (ou o domiciliar) no caso de gestações de baixo risco – supondo que o parto feito em casa conte com o apoio de uma parteira experiente e colaboração médica, caso haja necessidade de transferência.
Menos intervenções
Outra conclusão tirada da revisão sistemática (que usou uma série de outros estudos como referência) foi a de que procedimentos rotineiros e fácil acesso a intervenções médicas podem, ao invés de ajudar, levar a intervenções desnecessárias: em partos domésticos, ocorrem de 20 a 60% menos intervenções (como cesariana ou injeção epidural) e de 10 a 30% menos complicações (como sangramento pós-parto).
“Paciência é importante se as mulheres quiserem evitar interferência e dar à luz espontaneamente”, aponta Clausen. “Em casa, a tentação de realizar intervenções desnecessárias é reduzida”. Essas intervenções podem, ainda, ter consequências não planejadas (iatrogenia): monitoramento eletrônico pode, em certos casos, levar a um rompimento artificial de membranas, demandando mais intervenções (e possíveis complicações), por exemplo.
Apesar das evidências positivas do parto domiciliar, as autoras lembram que “o respeito à vida privada inclui o direito de escolher as circunstâncias do parto” (citando um julgamento realizado pela Corte Europeia de Direitos Humanos em Estradisburgo, França). Assim, divulgar os benefícios (e malefícios) de cada opção seria o mais justo para as futuras mães.[Science Daily] [The Cochrane Collaboration]

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