sexta-feira, 9 de abril de 2010

Para além da morte?


Alexandra, Pt. 06.04.2010 18:49
Aulas teoricas Vs Pratica clinica
Sou estudante de medicina do 5º ano, e posso dizer que ao longo destes anos, a temática da morte, a problemática que existe em saber discriminar onde começa e onde deve acabar a nossa intervenção enquanto médicos, a forma como se abordam os diagnósticos mais difíceis … são temas que foram abordados em disciplinas ao longo destes anos.


Mas, mais uma vez a minha questão centra-se no desfasamento que existe entre a informação teórica, que nós enquanto estudantes recebemos, e a pratica clínica que podemos desenvolver. Torna-se muito difícil estabelecer qualquer tipo de relação com um doente quando o contacto e seguimento deste, é praticamente impossível. Seja como for, não conheço ninguém que estude comigo e que seja insensível a esta questão. Afinal todos queremos ser médicos e não eternos projectos a médicos… de uma boa relação médico-paciente, beneficia o paciente, é este o nosso “objecto” de trabalho é nele que devemos centrar a nossa actividade e não no nosso mau ou bom feitio/bom ou mau dia! “Para o médico este é o vigésimo paciente que entra por aquela porta, mas para o vigésimo primeiro paciente é a primeira vez que vai atendido”.

Susana, Tavira. 06.04.2010 18:39
Óptimo artigo, provavelmente óptimos futuros médicos!
Obrigada pela partilha das vossas dúvidas, questões e hesitações. Os médicos são seres humanos como todos nós, têm dúvidas, têm medos, têm sentimentos. A aluna fez muito bem em expor as suas fraquezas, apenas assim vai aprender a enfrentá-las. No dia em que os médicos não tiverem algum medo de errar...vão provavelmente errar. O medo é que nos dá a coragem, a atenção e a prudência necessária para ver tudo da melhor forma possível, para ter o máximo cuidado, mas mesmo assim, como Humanos, por vezes erram, por vezes falham...somos todos assim. Há que admitir para aprender e para ajudar outros aprender. Parabéns!

Tiago, VNGaia. 06.04.2010 16:17
Vamos para lá em pequenos passos!
Antes de mais gostava de concordar com a maioria dos comentários publicados anterioremente, de que o artigo é bastante interessante e mostra algo que não se vê todos os dias. Como aluno de Medicina, vejo já alguns esforços em nos transmitirem (não só ao nos colocarem em enfermarias para perceber o sofrimento dos doentes) academicamente através de aulas com teorias científicas, alguns conceitos sobre a Morte e as fases do seu processo bem como temas como a doença crónica e outros que nos alertam para o facto de cada vez mais, hoje em dia, lidarmos com um sofrimento mais prolongado e desgastante. É-nos transmitdo também (continuamente-pelo menos na minha faculdade, ICBAS) que o doente não é um simples "recipiente para medicamentos" e que mesmo durante 15 minutos de consulta podemos ser importantes para os mesmos e que mesmo quando não há cura/tratamento a instituir, o papel do médico continua e não se desfaz nesse momento. Acho portanto, que em pequenos passos vamos caminhando para o melhoramento nesse campo.

Rui Silva, Lisboa/Portugal. 06.04.2010 12:29
Deviam aprender mais
Os médicos deviam aprender a dirigirem-se ao doente, pel que percebo, ou se tem alguma empatia inata ou não existe ... sou seguido em HSM, serviço de nefrologia, e o distanciamento é demais ... além de me tratarem como um idiota, minimizando os sintomas que descrevo quando tenho. Os medicos deve haver equilibrio entre distanciamento e aproximação, e os medicos falham muito ao não entender que o bem estar mental influencia o físico (comprovado cientificamente melhora em geral o sistema imunulogico). Uma pessoa gosta de chegar a 1 consulta e sentir que durante aqueles 15 minutos não é só 1 recipiente pra medicamentos...

Imagem: http://territoriofeminino.blogtv.uol.com.br/img/Image/MulheresPossveis/2008/Agosto/mobile_borboleta2.jpg