sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Assim como dormir, caminhar também é muito importante para o coração


Caminhada reduz pressão arterial por até 24 horas

JB ONLINE

RIO - Pesquisa da USP comprovou que a caminhada reduz a pressão arterial na primeira hora e essa queda se mantém nas 24 horas subsequentes. A caminhada leve, de 40 minutos, segundo os pesquisadores, beneficia especialmente os idosos, uma vez que se trata de uma atividade de baixo impacto e que respeita os limites da idade. Mas, a redução na pressão se dá em todas as faixas etárias, segundo a pesquisa brasileira.

Segundo o estudo, após uma única sessão de caminhada, na média, a pressão arterial sistólica (valor maior, quando o coração se contrai bombeando o sangue) caiu 14 milímetros de mercúrio (mm Hg) e a pressão arterial diastólica (valor inferior, quando o coração relaxa entre duas batidas cardíacas) caiu 4 milímetros, ou seja, de 13 por 9, por exemplo, passou para 11 por 8. Vinte e quatro horas depois a pressão continuou reduzida em 3 milímetros na pressão sistólica e 2 milímetros na diastólica.

29 milhões
Segundo dados das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, são 27 milhões de hipertensos com mais de 18 anos e 2 milhões de crianças e adolescentes que enfrentam o problema.

A pesquisa teve início em fevereiro de 2007 e terminou em julho de 2009 e foi feita com idosos, mas vale para todas as faixas etárias.

Foi avaliada uma amostra da população cadastrada nos Núcleos da Saúde da Família de Ribeirão Preto, com idade entre 60 e 75 anos. Os participantes realizaram uma sessão de 40 minutos de caminhada, seguida de uma sessão de repouso também de 40 minutos. Os resultados apontaram que a redução é mais expressiva naqueles com pressão arterial elevada e menor naqueles com pressão arterial normal.

Segundo a fisioterapeuta Leandra Gonçalves Lima, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, autora do estudo, o exercício regular pode levar à diminuição gradativa e até ao não uso de medicamentos para os hipertensos leves e, ainda, como método coadjuvante no tratamento com medicamentos nos casos mais graves.

– Os efeitos desse estudo sobre a população geram um resultado imediato e positivo no paciente com pressão alta e promove uma enorme conscientização quantos aos benefícios do exercício naqueles que não apresentam níveis elevados de pressão. Com isto, o gasto financeiro com medicações tende a diminuir e a qualidade de vida melhorar.

Para a orientadora da pesquisa, Nereida Kilza da Costa Lima, é interessante essa comprovação, pois foi testado um tipo de exercício viável a qualquer pessoa, uma vez boa parte dos idosos brasileiros não costumam frequentar academias de ginástica onde são comuns as esteiras e bicicletas ergométricas.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Fernando Nobre, esse estudo comprova os benefícios do exercício físico nos pacientes com hipertensão arterial e como prevenção nos normotensos, aqueles com pressão arterial normal:

– Nas diretrizes americanas para o tratamento da hipertensão arterial está estabelecido que atividades físicas por 30 minutos, pelo menos, de 3 a 5 vezes por semana podem reduzir a pressão arterial. Vejo nesse estudo uma grande contribuição para reafirmar a necessidade de práticas regulares e apropriadas de atividades físicas, na população em geral e na de idosos em particular – afirma.

Segundo o médico e geriatra Eduardo Ferrioli, professor da FMRP, que participou do estudo, a pressão arterial é uma das doenças de maior prevalência entre os idosos, chegando a quase 50%.

– Apesar de atualmente haver uma mudança da postura da população, resultante de campanhas de incentivo à prática de exercícios físicos e recomendações dos profissionais de saúde, essa pesquisa mostra que uma pessoa pode não depender só de medicamentos para combater a hipertensão, uma simples caminhada pode ajudar a resolver o problema.

Da Agência USP
22:36 - 22/10/2009