sábado, 17 de outubro de 2009

A mulher e o crime. Essa "inveja do pênis", que a levaria a querer equiparar-se ao homem.


Napoleão L. Teixeira. Catedrático de Medicina Legal da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná.

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Intercede junto à "Mater Gloriosa", por intermédio de três pecadoras famosas: "Magna Peccatrix", que foi Maria Madalena, aquela a quem Jesus perdoou porque muito amou; a "Mulier Samaritana", que foi aquela Samaritana que, na fonte de Jacob, em Sichen, deu de beber a Jesus, tendo-lhe então Jesus prometido a água que aplacaria a sêde eterna. E finalmente, a terceira pecadora famosa, que intercede junto à "Mater Gloriosa" pelo perdão de Fausto, é "Maria Aegiptiaca", prostituta famosa em Jerusalém, que, depois de muitos anos de vida dissoluta e pecaminosa, foi tocada pela graça divina.

Viveu 40 anos no deserto, alçando-se, por fim, à santidade. Escreve Mellusi, em sua bela obra" "Delinquenti de U'Amore": "Se Margherita puo, dopo la sua condanna in terra, essere assunta in cielo, accanto alla Mater Gloriosa, pienamente riabilitata, e riabilitata a tal punto, da potere intercedere con fortuna anche per il suo amante, vuol dire che in cielonon si ha per il infanticidio tutto l'orrore che si ha sulla terra, o che, per lo meno, si dà ai moventi del delitto una valutazione diversa da quella che dà ta morale sociale". Voltando ao tema crime – por que vai a mulher ao crime? Dizem os freudistas que é pelo penisneid: tôda mulher se consideraria uma criança castrada e, vida em fora, lutaria pela conquista disso que o homem tem e ela não: um falus.

Seria êsse penisneid, essa "inveja do penis", que a levaria a querer equiparar-se ao homem, a querer-se-Ihe igualar, cortando o cabelo curto, adotando vestes parecidas, frequentando Universidades, fazendo concursos, ombreando-se com êle nos empregos, nas fábricas, nos exércitos, etc.. Seria também isso que a levaria ao crime. É uma hipótese engenhosa, que não convence. PORTO-CARRERO, descreve a mulher como devendo ser a guardiã do lar; aquela que deveria ficar em casa, junto à roca, tecendo as vestes dos seus; cosinhando o alimento; olhando pelos filhos, enquanto o marido, lá fora, trabalha e guerreia.

Mas, diz êle: o mundo progrediu; as grandes indústrias tornaram inútil à mulher cardar a lã ou tecer o linho; o "jardim da infância" tornou desnecessário à mulher cuidar do filhinho, a partir de certa idade; as restrições à natalidade diminuíram também à mulher o número de filhos. Então, a mulher, não tendo o que fazer em casa, atirou-se a vida, lá fora; passou a viver nas rodas de jôgo e de clubes; transformou-se no "mamífero de luxo", na criatura fútil, indolente, viciosa, na medula ávida de espasmos. É a mulher que não tendo (ou não querendo ter. ..)

O que fazer, no lar, gasta seus ócios, intoxicando-se com bebidas e entorpecentes; empeçonhando-se com a má literatura, o mau cinema, o mau teatro, e mau rádio e a péssima televisão; que julga chic o adultério; que… mas, isso seria um nunca mais acabar! É a mulher que vai ao crime! É outra hipótese, melhor que a precedente. Fala GILBERTO FREYRE, da "compressão social" da mulher.

A mulher seria uma criatura eternamente reprimida, e, por isso, na sua revolta, iria ao crime. Outra explicação, pouco convincente. Nada disso é verdade. A mulher só vai ao crime por força da sua tragédia biológica. MICHELET falou que a mulher é uma" eternelle blessée". Criatura que sofre desde o nascimento, até à hora da morte. Daí haver HIPóCRATES dito que a vida da mulher é uma contínua enfermidade.