sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mais de mil funcionários públicos morrem anualmente por HIV/SIDA


O representante interino do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Jocelyn Mason, alertou que os níveis de contaminação pelo HIV na função pública representam uma ameaça séria contra o sector e acrescentou que PNUD entende que prevenir o HIV/SIDA no sector público é mais do que uma mudança de comportamento e de atitude: exige uma forte liderança.

Maputo (Canalmoz) – Cerca de mil e seiscentos (1.600) funcionários e agentes do Estado morrem, anualmente, vítimas de HIV/ SIDA. Estas mortes correspondem a 19% do total dos funcionários, avaliado em 167.420, em 2008. Estes dados foram confirmados ontem, em Maputo, pela ministra da Função Público, Vitória Dias Diogo.
Foi na tentativa de busca de formas de controlar a grave situação do HIV/SIDA na administração pública que o Ministério da Função Pública juntou ontem em Maputo, os secretários permanentes e inspectores-gerais dos ministérios e ainda os secretários gerais dos órgãos de soberania para uma capacitação que tinha em vista dotá-los de conhecimentos sobre a prevenção e o combate da pandemia.
Segundo a ministra da Função Pública, que falava na ocasião da abertura do encontro, o Governo desenvolveu uma estratégia nacional de combate ao HIV e SIDA na função pública -2009-2013 – como uma medida que, ao se implementar com eficiência, contribuirá para que os funcionários e agentes do Estado continuem saudáveis e produtivos, tendo em conta as intervenções preconizados nas áreas prioritárias, como são os casos de prevenção, cuidados e tratamento. No entanto, os efeitos são os que são, como falam os números.
De acordo com a governante, para o sucesso da estratégia governamental é necessário que se tenha uma perspectiva multidimensional da pandemia, o que requer igualmente uma abordagem multifacetada e multissectorial. Para isso, a ministra defende ainda que se impõe uma prestação de contas baseada nas especificidades dos planos sectoriais e no princípio de colaboração intra e intersectorial.

O HIV pode abortar os esforços do Governo
Entretanto, o representante interino do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Jocelyn Mason, alertou que os níveis de contaminação pelo HIV na função pública representam uma ameaça séria contra o sector.
Segundo Jocelyn Mason, o PNUD entende que, prevenir o HIV e SIDA no sector público é mais do que uma mudança de comportamento e de atitude e como sempre, exige uma forte liderança. Nesta ordem de ideia, o representante do PNUD disse que os quadros seniores do Estado, deverão jogar um importante papel através da liderança, no processo de mudança.

O HIV diminui a força produtiva
De acordo com Sheila da Conceição, da Associação dos Empresários Contra HIV/SIDA (ECoSIDA), uma vez instalado nas instituições públicas, os trabalhadores infectados podem ter um baixo rendimento. Alerta ainda que por causa das abstenções dos trabalhadores, o seu salário não será completo, o que pode provocar não só problemas a nível institucional, mas também a nível da família.

(Egídio Plácido) 2010-10-15 08:24:00