quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Poluição atmosférica pode aumentar casos de diabetes


Segundo um novo estudo, existe uma forte ligação entre a diabetes nos adultos e a poluição atmosférica. A pesquisa de longo prazo se baseou em estudos anteriores de laboratório, que ligaram a poluição do ar a um aumento da resistência à insulina, um precursor da diabetes.

Os pesquisadores não têm dados sobre a exposição individual, por isso não podem provar a causalidade dessa relação. Mas a poluição surgiu como um fator significativo em todos os modelos adotados pela pesquisa.

Os pesquisadores usaram dados econômicos, geográficos, de saúdee outros, para ajustar fatores de risco de diabetes conhecidos, como a obesidade, o exercício, a etnia e a densidade populacional. Depois de controlar estes fatores, ainda surgiu uma forte correlação entre a prevalência de diabetes e a poluição atmosférica de partículas.

Os cientistas se concentraram em partículas finas, como as encontradas na fumaça dos veículos a motor. Eles descobriram que para cada 10 microgramas por metro cúbico de partículas finas, há um aumento de 1% nas taxas de diabetes.

O padrão da Agência de Proteção Ambiental dos EUA para as partículas finas é de 15 microgramas por metro cúbico ou menos. A influência das partículas sobre a taxa de diabetes foi observada mesmo em países onde as taxas de poluição são abaixo dos padrões considerados saudáveis.

Segundo os pesquisadores, esse é o problema: não são apenas os lugares mais poluídos que demonstram essa relação.

Nos EUA, as taxas de diabetes subiram nas últimas décadas. Há uma estimativa de que 23,5 milhões de americanos sofram da doença. Atualmente, o número de casos em pessoas com menos de 44 anos quase triplicou, e quase 10% da população entre 45 e 64 anos sofrem da doença.

Estudos atribuem cerca de 60% do aumento dos casos de diabetes às alterações demográficas vinculadas ao envelhecimento da população, e a população de maior risco entre os grupos étnicos, como os latinos, os afro-americanos e os asiáticos, que tendem a contrair a doença em taxas mais elevadas do que os caucasianos. As mudanças de estilo de vida, responsáveis por um forte aumento da obesidade e um declínio na atividade física em todo o país, também são vistos como fatores predominantes.

No entanto o papel da poluição e de outros fatores ambientais merecem uma análise mais aprofundada. Segundo os pesquisadores, os estilos de vida da população são absolutamente fundamentais para um resultado determinante no estudo, mas nem tudo que causa a diabetes foi provocado pelo homem. Mas por menos esclarecido que seja esse elo, pode-se afirmar com certeza que há um fator ambiental. [NewYorkTimes]

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