sábado, 30 de outubro de 2010

Mulheres sobrevivem mais a lesões traumáticas graves


“A mulher é o sexo frágil” – esqueça essa afirmação. Segundo um novo estudo, as mulheres têm 14% mais chances de sobreviver a uma lesão traumática do que homens.

Os pesquisadores afirmam que, no que diz ao respeito ao trauma e a capacidade e tenacidade para sobreviver a ele, as mulheres podem até ter uma melhor evolução do que os homens. Por exemplo, elas têm que cuidar de crianças, sobreviver ao parto, e fazer outras coisas que não se espera que os homens façam, ou que eles não são “modelados” para fazer.

Um palpite dos cientistas é que o aumento da capacidade de sobreviver a um trauma pode estar nos hormônios sexuais. Segundo eles, em algumas situações, os hormônios sexuais femininos “reforçam” o sistema imunológico das mulheres.

Essa pode ser uma possível explicação do porquê as mulheres também são mais suscetíveis a doenças como o lupus, que resultam de um sistema imunológico hiperativo.

Porém, os pesquisadores não sabem exatamente de que forma os hormônios sexuais femininos, como o estrogênio, melhoram as chances de sobrevivência a uma lesão grave, ou se, ao invés disso, são os baixos níveis de hormônio masculino, como testosterona, que atuam como uma “proteção” às mulheres.

Os cientistas recolheram dados sobre as taxas de sobrevivência de 48.394 pessoas que haviam sofrido uma grave lesão traumática, e colocaram os indivíduos em três grupos baseados em sua idade. Os com menos de 12 ou acima de 65 anos têm níveis mais baixos de hormônios, em geral, do que aqueles entre as idades 13 e 64.

Apenas aqueles cuja pressão arterial estava perigosamente baixa, como resultado de uma lesão grave – que os médicos consideram um verdadeiro sinal de choque traumático – foram incluídos na pesquisa.

Entre as pessoas menores de 12 anos, 29% dos homens morreram e 24% das mulheres morreram. Entre os de 13 a 64 anos, 34% dos homens morreram e 30% das mulheres morreram. Entre os com 65 anos ou mais, 36% dos homens morreram e 31% das mulheres morreram.

Depois de levar em conta fatores como idade, gravidade da lesão, tipo de lesão e forma de lesão, a taxa de sobrevivência das mulheres foi 14% superior à dos homens. Mas os pesquisadores alertam que essa conclusão de melhor sobrevivência feminina só se aplica às pessoas que sofreram lesões traumáticas.

Outros fatores desconhecidos podem ter desempenhado algum papel nessa sobrevivência, mas os pesquisadores apostam que os hormônios sexuais provavelmente são o fator mais importante na determinação das taxas de sobrevivência.

E o gênero não afeta apenas as taxas de sobrevivência das pessoas. Talvez as mulheres sejam mesmo um pouco frágeis: elas parecem sofrer mais que os homens quando se trata de dor.

Um estudo de 2005 mostrou que as mulheres sentem mais dor do que os homens porque elas têm mais receptores nervosos: 34 fibras nervosas por centímetro quadrado de pele no rosto, em comparação com 17 nos homens.

Outra pesquisa de 2009 descobriu 15% das mulheres sentem dor durante a relação sexual; a ideia é de que essas mulheres associam sexo e dor por causa de uma doença chamada dispareunia.

Quanto ao estudo recente, o próximo passo dos pesquisadores é medir os níveis de hormônio sexual em pessoas que têm lesões graves, para ver se as variações dos níveis dos indivíduos afetam a sua taxa de sobrevivência.[LiveScience]

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