sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Segundo a OMS. Tabaco é uma das principais causas de morte em Moçambique


Maputo (Canalmoz) – O consumo de tabaco, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tornou-se numa das principais causas de mortalidade em Moçambique.
O facto foi dado a conhecer esta quinta-feira em Maputo durante um seminário de capacitação de jornalistas em matéria de combate e controlo do tabagismo no país, dado o peso que representa na saúde pública nacional.
Este seminário foi organizado pela associação moçambicana de Saúde Pública (AMOSAPU) em parceria com o Ministério da Saúde e OMS.
A representante da OMS no encontro, Glória Chonguissa, referiu que o tabaco apesar de não provocar morte imediata aos seus consumidores activos e passivos, provoca doenças crónicas e mortíferas como: cancro e doenças cardiovasculares.
Segundo Glória Chonguissa, neste momento estas doenças dominam o quadro epidemiológico no país, representando a maior taxa de internamento nas unidades sanitárias públicas em Moçambique.
O seminário serviu para os organizadores apelarem à Imprensa para se envolver cada vez mais na campanha de combate ao tabagismo no país através de dissiminação de mensagens, apelando primeiro pela ratificação na Assembleia da República do primeiro tratado internacional assinado por quase todos os países do mundo, sendo Moçambique em Junho de 2003 durante Assembleia Mundial de Saúde em que se comprometeram em criar leis que controlam a produção, comercialização e consumo de tabaco tal como estabelece a convenção de quadro de controlo ao tabaco.
Para inverter a tendência para o grande consumo do tabaco, a OMS apela para que a Assembleia de República de Moçambique ratifique a convenção sobre Tabaco para que o país passe a possuir um instrumento jurídico de combate ao tabaco através de proibição da sua produção, comercialização, consumo e banimento de publicidade feita pelas indústrias fomentadoras que continuam a persuadir as pessoas para consumirem o tabaco apesar do perigo que representa para a saúde pública.

Governo deve fomentar outras culturas de rendimento

Por seu turno, a AMOSAPU, pela voz de Francisco Cabo, diz que o sucesso do combate ao tabagismo no país passa pelo Governo fomentar outras culturas de rendimento e não de tabaco tal como está a acontecer neste momento.
“O tabaco para além de ser um problema para a saúde pública tem um impacto negativo na sociedade e na economia nacional, uma vez que mutila e mata quadros superiores e chefes de famílias, deixando muitas crianças órfãs”, disse  Francisco Cabo.
“O seu cultivo cria danos ambientais nos solos”, acrescentou.
Disse ainda que “numa área onde já se cultivou tabaco os solos  ficam danificados, daí que depois já não serve para a produção de outros produtos agrícolas”.
“Temos exemplos de Zimbabwe e Malawi que no passado apostaram na produção de tabaco e ficaram com os seus solos completamente danificados e hoje em dia estão a passar por momentos críticos em matéria de alimentação “, sublinhou Francisco Cabo.
Dados estatísticos do Ministério da Agricultura (MINAG) indicam que neste momento a produção de tabaco envolve mais de 150 mil famílias em todo o país.
Anualmente, ainda de acordo com os dados, o país produz cerca de 60 mil toneladas que são exportadas para países como África do Sul, Alemanha, França, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, Argentina, Brasil e Costa Rica.
No total, segundo o Ministério da Agricultura, a indústria tabaqueira em Moçambique emprega 7.230 trabalhadores entre permanentes e sazonais.
Refira-se que, de acordo com os dados da OMS, em todo o mundo morrem, por ano, mais de seis milhões de pessoas por consumo de tabaco, dos quais 70% das mortes ocorrem em países em via de desenvolvimento, incluindo Moçambique.
Segundo a OMS, dos seis milhões da vítimas mortais por causas derivadas do consumo de tabaco mais de 80% são consumidores passivos. (Raimundo Moiane)