sexta-feira, 18 de junho de 2010

Animais microscópicos podem produzir clones de si mesmos


Qual é a semelhança entre a reprodução humana e a dos rotíferos? Pois saiba que há mais similaridades do que você imagina. Assim como nós, humanos, esses animais aquáticos microscópicos produzem progesterona, mas em situações bem diferentes de nós.

Pouco visível sem um microscópio, rotíferos comem algas e servem principalmente como alimento para filhotes de peixes. Porém, as fêmeas de certas espécies de rotíferos podem fazer algo bastante incomum: reproduzir-se assexuadamente através da criação de clones de si mesmos, ou iniciar um processo que permite a reprodução sexuada, produzindo rotíferos do sexo masculino.

O mediador químico para essa mudança de reprodução assexuada para sexuada é nossa velha conhecida progesterona – uma molécula simples, que também desempenha um papel vital na regulação da reprodução e desenvolvimento sexual nos seres humanos e muitas outras espécies. A descoberta desse esteroide sexual e de seu receptor em rotíferos simples sugere que a presença da progesterona no ciclo reprodutivo remonta há centenas de milhões de anos.

“Isso tem implicações evolucionárias realmente importantes”, diz Julia Kubanek, professora na Escola de Biologia do Instituto de Tecnologia de Georgia e uma das autoras da pesquisa. “Nosso estudo mostra que exatamente a mesma molécula esteroide é encontrado em seres humanos e em rotíferos, mas com papeis muito diferentes na reprodução”.

Acredita-se que o estudo tenha sido o primeiro a documentar o uso de progesterona na linhagem de animais simples (como os rotíferos), que se mantém inalterada durante milhões de anos.

Durante a maior parte do ano, a população de rotíferos é constituída apenas por fêmeas, que se reproduzem criando clones de si mesmas. Mas quando as condições ambientaisameaçam a população – como a redução da quantidade de alimento disponível – cerca de um terço da população de rotíferos passa a se reproduzir sexualmente. Essa é a única maneira das criaturas produzirem ovos capazes de sobreviver por um longo inverno.

“Os rotíferos são muito bons em descobrir quando as condições estão ficando ruins e quando é hora de produzir machos, fazer sexo e dar isso por encerrado”, afirma Kubanek.

A pesquisa também pode ajudar os pesquisadores a entender a interação entre o meio ambiente, metabolismo, hormônios e comportamentos. “Podemos aprender coisas com os rotíferos assuntos que tocam a biologia humana, incluindo, nesse caso, a universalidade dos esteróides na reprodução e como eles são usados de forma diferente nos mais diversos animais”, disse Kubanek.

“É um sistema muito complexo para um organismo tão simples” diz Paige Stout, estudantede Ph.D. na Escola Tecnológica de Química e Bioquímica da Geórgia, que estuda o potencial farmacêutico de compostos produzidos por organismos marinhos, como algas. “Embora estivéssemos procurando pela progesterona, fiquei surpreso ao realmente encontra-la, em vez de algum de seus derivados”, completa. [Science Daily]

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