terça-feira, 15 de junho de 2010

Ser fumante passivo é realmente um problema


Pessoas não fumantes ficaram aliviadas com a Lei Anti-fumo em lugares públicos fechados, que entrou em vigor em agosto do ano passado. E eles têm bons motivos – além de estarem livres da fumaça do tabaco e do cheiro que gruda na roupa – para se alegrar com a decisão do governo. Pesquisas da Universidade de Londres mostram que a fumaça do cigarro alheio, além de fazer mal para os pulmões (o que já se sabia há tempos), é prejudicial também para o coração e até para a saúde mental do inocente fumante passivo.

A chave para se medir a exposição à fumaça pelos passivos é a cotinina, um subproduto da reação da nicotina no organismo. O motivo pelo qual a cotinina serve como medição é justamente porque reflete o quanto de nicotina age de fato no corpo, e não apenas o quanto é inalado.

A surpresa é mesmo o possível dano mental: o estudo foi aplicado em 5560 adultos não-fumantes e 2.295 fumantes, todos perfeitamente saudáveis mentalmente. Os não-fumantes com alta exposição à nicotina (o que foi medido pelo nível de cotinina na saliva) eram 62% mais propensos a ter problemas psicológicos. Os voluntários da pesquisa foram acompanhados durante 6 anos, período no qual o número de internações em hospitais psiquiátricos foi 2,8 vezes maior em fumantes passivos do que entre aqueles praticamente livres da fumaça docigarro.

Os cientistas apontam também para uma possível relação entre tabagismo e depressão, embora não haja ainda provas para tanto. De qualquer forma, ainda há um dado interessante: entre os fumantes passivos, aqueles que jamais fumaram foram mais vulneráveis aos efeitos psicológicos do que os ex-fumantes. Isso leva a crer que a fumaça alheia é realmente nociva para quem não está (e nem deseja estar) acostumado com ela.

E é claro que, embora seja notável a diferença entre os danos nos fumantes passivos e nos que sequer são passivos, a situação é ainda pior para os que fumam de fato. Nestes, as internações foram 3,7 vezes mais freqüentes do que nos passivos. Assim, não se engane: ser fumante passivo já é bastante ruim, mas pior ainda é mesmo fumar. [Reuters]

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