quinta-feira, 15 de julho de 2010

Das clínicas para as unidades sanitárias. Utentes chegam ao Hospital Central gravemente doentes


Maputo – Nos últimos tempos têm havido doentes que chegam ao Hospital Central de Maputo (HCM) sem vida, porque perdem a vida durante a transferência da clínica para o hospital. Sobre este tipo de casos, as autoridades da Saúde declinam prestar qualquer tipo de informação.


Entretanto, o director geral da clínica Cruz Azul e médico Urologista do Hospital Central de Maputo, Igor Vaz, confirmou ao Canalmoz que os doentes, muitas vezes, são transferidos para o HCM com pouco tempo de vida. Ele, falando concretamente de cancro e HIV/Sida, disse que tal ocorre porque não é tarefa fácil operar um doente no estado terminal dessas doenças. São poucos os casos em que as clínicas transportam óbitos para o HCM.
Aliás, Igor Vaz diz que mesmo sabendo a doença do seu familiar, há pessoas que se recusam que o paciente esteja sob cuidados do HCM, razão pela qual quando estão na fase terminal preferem transferi-lo.

“Temos muitos doentes com doenças graves e a família, muitas vezes, pede para que o seu familiar fique sob cuidados da clínica e não do HCM, quando ainda pode suportar os custos das despesas do doente. A família só aceita transferir o seu familiar para o HCM quando já não tem condições para suportar os custos das despesas médicas”, frisou.
Segundo Vaz, “recorremos ao serviço de ambulância para transferir os doentes da clínica para o HCM, uma vez que não dispomos deste tipo de serviços, por falta de pessoal de especialidade”.

Igor Vaz disse ainda que se o doente chega ao HCM sem vida não se pode atribuir a culpa da sua morte à clínica ou mesmo ao serviço de ambulância, mas sim recorrer a autópsia para provar em que condição aconteceu o óbito.
“A responsabilidade do óbito não pode recair ao serviço de ambulância porque ele é solicitado de acordo com certas normas estabelecidas”, disse e acrescentou que até em hospitais com melhores condições de assistência médica há óbitos. Há doentes que perdem a vida durante o transporte porque as condições de vida são precárias. Outros ainda perdem a vida na entrada do hospital, sala de operações, de entre outros locais cirúrgicos, por perda de sangue. O facto do doente ter entrado na unidade sanitária muitas vezes não significa que ele vai sobreviver porque pode padecer de outros ferimentos de difícil solução.

(Conceição Vitorino) 2010-07-15 07:09:00