sábado, 10 de julho de 2010

Prevalência do cancro aumenta em Moçambique


– A prevalência do cancro está a aumentar no país, sobretudo na província de Inhambane que regista elevados índices do cancro do fígado a nível mundial, revela o médico-cirurgião, Fernando Vaz.

Maputo (Canalmoz)
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8274

Vaz teceu essas considerações momentos depois de tomar posse como presidente da Assembleia Geral da Associação de Luta Contra o Cancro, na quarta-feira da semana passada em Maputo.
Segundo Vaz, a agremiação a que preside vai envidar esforços no sentido de conseguir meios necessários para um tratamento mais eficaz desta doença, a nível do país.
O cancro tem afectado homens e mulheres de todas as idades, bem como crianças, conforme referiu aquele antigo vice ministro da Saúde: “no caso das mulheres, podemos dizer que os cancros mais frequentes no nosso país são os do colo do útero e o da mama, enquanto os homens têm sido mais afectados pelos cancros da próstata e de fígado”, frisou.

Acrescentou que “nas crianças se têm registado muitos casos de leucemias agudas. Outro cancro frequente é o (Sarcoma de Kaposi), que é uma situação de cancro da pele que surge como consequência da infecção pelo HIV-Sida”, disse Fernando Vaz.
Referiu ainda que a mortalidade resultante do cancro tem aumentado cada vez mais no país, “mercê de algumas dificuldades que nós temos para a sua prevenção, detecção precoce e tratamento”.
Na sua opinião, são “necessários recursos humanos, financeiros e tecnológicos, nomeadamente pessoas formadas em prevenção e tratamento e equipamento que é muito caro, pois o tratamento do cancro, na maior parte das vezes, é feito através da cirurgia, radiações e quimioterapia, incluindo a hormonoterapia e a imunoterapia”.

Por seu turno, a médica hemato-oncologista, Patrícia Silva, eleita presidente da Direcção-Geral da Associação, disse ser cometimento da organização que dirige levar a cabo “acções visando a diminuição da incidência do cancro em todo o país e a melhoria do acesso ao tratamento adequado e atempado desta patologia”.
“Temos programadas actividades viradas para a tentativa de um rastreio precoce da doença, pois existem cancros que podem ser evitados e rastreados”, indicou, citando a campanha levada a cabo pelo Ministério da Saúde para o rastreio do cancro do colo do útero como uma acção preventiva, que permite um diagnóstico precoce e consequente tratamento efectivo.

Disse ser necessário levar a informação sobre as manifestações do cancro às comunidades: “Há mulheres que não sabem que um pequeno caroço pode ser indicativo do aparecimento do cancro da mama”, indicou, realçando a necessidade de realização de palestras e debates dirigidas à comunidade.
Frisou ainda a importância do apoio psicológico aos doentes que, muitas vezes, têm que ficar internados meses, longe da família, bem como a necessidade de se encontrarem formas de entretenimento lúdico para estes doentes, acções estas também dentro do programa de actividades da associação.

(Redacção) 2010-07-09 07:07:00
Imagem: www.hcb.co.mz