quinta-feira, 13 de maio de 2010

medicina maiúscula. para que serve a letra maiúscula senão para impor-se pela força?


a letra maiúscula e as estruturas de poder
por alan shivas 09/06/2007 às 13:57

o estado crê que a verticalidade, como a de um ?T? ante pequenos ?t´s? garante a ordem. ordem? está mais que claro que a hierarquia não mais atende as demandas sociais. os recursos naturais da terra estão se esgotando por conta de decisões maiusculamente arbitrárias

http://www.midiaindependente.org/pt/red/2007/06/385165.shtml

(S)e eu começar o texto assim, ele terá um outro entendimento (s)e eu começa-lo assim?
para que serve a letra maiúscula senão para impor-se pela força? pesquisando sobre seu significado, encontrei um manual de redação que diz que ?a letra maiúscula é um recurso gráfico utilizado para dois propósitos: assinalar o início do período (em oposição ao ponto final, que o encerra) e dar destaque a uma palavra?. na minha concepção, tal definição poderia ser reescrita da seguinte forma: a letra maiúscula é utilizada para pessoas com dificuldade em enxergar um ponto final, e também para as que tem dificuldades em interpretar um texto. ou seja, a capacidade do leitor está sendo subestimada de uma maneira ou de outra!

a força das palavras não está em seu tamanho físico, mas em seu significado. afirmação que nos leva à reflexões e contextualizações pertinentes. o estado é o braço forte de nossa sociedade. maiúsculo e tentacular, ele tenta nos regular de forma tão violenta, impositora e ignorante quanto as regras de utilização da letra maiúscula. o estado crê que a verticalidade, como a de um ?T? ante pequenos ?t´s? garante a ordem. ordem? está mais que claro que a hierarquia não mais atende as demandas sociais. os recursos naturais da terra estão se esgotando por conta de decisões maiusculamente arbitrárias, de um ou dois detentores de força contra a vontade de milhões.

diante desse quadro, a sociedade civil percebe cada vez mais que novas formas de organização se fazem necessárias. organizações horizontais onde a democracia(essa palavra tem me enojado ultimamente) seja direta e todos tenham igual força de decisão. já se insistiu por demasiado tempo na verticalidade. gilles deleuze e guattari já gritavam pela horizontalidade quando criaram a teoria do arborismo para explicar estruturas de poder e de autoridade no corpo social. eles comparam as estruturas atuais com a natureza, onde as sociedades em que existe o estado central seriam como uma grande árvore, que vai se ramificando em galhos cada vez menores, mais fracos e dependentes, e em sua maioria, sem intercomunicação com a maior parte da árvore.

em contra-partida, existem as plantas rizomáticas, como as gramíneas e o bambu. estas crescem de forma homogênea para cima, mas sua real força reside no seu crescimento e interligações laterais, que se conectam dos mais diferentes pontos sem depender de nenhum outro ponto, pois todos possuem igual força. um crescimento mais justo e muito mais difícil de ser destruído, pois quem se destaca é o todo, e não um grande centro. o mesmo ocorre com as letras, que quando minúsculas, sugerem possibilidades infinitas de agrupamento, enquanto as maiúsculas permanecem sempre isoladas em sua prepotência, sem saberem realmente o que se passa a sua volta.

movimentos sociais seguindo a linha horizontal não param de surgir no globo, especialmente a partir da década de 60, mas com grande ?bum? nos anos 90. o estado tenta os coibir a partir da força bruta e ignorante, mas, aos poucos, percebe a ineficácia desse tipo de ação, pois não encontra o líder, a letra maiúscula desses movimentos. cai 1, levantam-se 10, que surgem de todos os lados. a imposição a partir da força cega de alguns poucos gigantes já não contém mais o irrefreável levante horizontal de grupos autônomos que emergem e agem nos quatro cantos.

as tentativas de pejorativiza-los e diminuí-los são como o nome que deram para as letras menores: minúsculas. mas as letras, ao invés de se revoltarem e partirem para a violência ignorante por conta da forma como a chamam, organizam-se e constroem horizontalmente sem a necessidade das maiúsculas para ganharem força, novos adeptos ou significado.

por isso enquanto eu e elas, as letras menores, lutamos contra o word, da gigante metida a maiúscula microsoft, que tenta nos impor as regras gramaticais sublinhando todo esse texto tentado dar a ele um caráter errôneo(isso quando não o altera automaticamente, como se a hierarquia fosse natural), brindo ao fim das letras maiúsculas, bem como o fortalecimento dos grupos horizontais autônomos e a emancipação das letras menores, que, ao vencerem a luta, não poderão mais serem chamadas de minúsculas, mas sim de iguais!

alan shivas